20.7.14

Querido R.,

                  

                                             Temo não ter me despedido bem de você. A palavra morte rondo-meu por toda a tarde, como se me esperasse. Há muito que vago pelos corredores das noites insones à procura do clarão da grande lua, que teima em não aparecer. E nem posso dizer que cheguei ao fundo, quando não há nem mesmo um poço. Soube que partiu esta tarde. Dizer o que? Que sinto muito?! Não, eu sinto tudo, Rubem Alves.

P.S.  E me encontre lá, entre os ipês amarelos que tão cuidadosamente plantastes, meu eterno Valentine's. 

Sopro-te sonhos pelo vento. Os mais inacreditáveis. Tens, por mim concedido, o dom da imortalidade. Viva por todo sempre.


Tua, eternamente, L.
Inverno, Julho, 2014, Sul de mim.


                                                                                                              Lídia Martins

2 comentários:

Alvaro Vianna disse...

Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
Que, a despeito de toda a humana lida,
Fez a nossa existência apetecida
E num recanto pôs um mundo inteiro.

É a Carolina o quarteto machadiano, mas poderia ser a Rubem ou a quem quer que ame desmesuradamente a vida e as pessoas vivas.

Gabriela Freitas disse...

A morte fere e dói, mas costumo dizer que algumas pessoas continuam vivas mesmo sem estar entre nós, ele vai ser pra sempre uma dessas.

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