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10.18.2014

LIBELO

Dezoito. Outubro. Dia do Médico. Ao contrário das outras, essa é uma data que não posso e nem quero deixar passar em branco. Recordo-me como se fosse hoje da época em que balançava a cabeça com aquele gesto hostil dos alunos do primeiro ano curso de medicina enquanto diagnosticava o estado de saúde precário de minhas bonecas. Enquanto esteve no poder, o Partido da Social Democracia Brasileira sempre fez de conta que estava tudo bem com o país, não é?! Aparentemente... mente... mente... Não posso evitar que essas palavras ecoem, por mais que eu me esforce. Pergunto-me se o exercício de um mandato político, com ênfase ao cargo de Presidente, é para pessoas de bem ou para bandidos. Os palanques ora são para defender, ora para acusar. Nunca para dialogar. Digladiações à parte, onde estão as propostas? Nos papéis? Sairão de lá?! Ainda estou na dúvida se tenho assistido a debates presidenciais ou a encenações de um Tribunal do Júri. Supondo por extrapolação da ingenuidade que tudo isso não passe de uma encenação, proponho, então, pela ordem, a instauração de um Incidente de Sanidade Mental. Especialmente em relação ao candidato Aécio Neves. Há suspeitas de que esteja sofrendo de um mal chamado: NORMOSE (Obsessão doentia em tomar por normais comportamentos que nunca serão). Desvio de dinheiro público, operações bilionárias de superfaturamento, construção de “Private Airport”, dissolução de CPI’s, supressão da liberdade de expressão, engavetamento de processos, choques paralíticos de gestão. Eu poderia fazer uma lista inteira de queixas, mas, bastam-me essas. O candidato Aécio Neves tem facilidade de expressar o que ele sente em relação a Minas, já o que Minas sente em relação a ele... Conta mentiras a si que nem ele próprio ousa desmentir. Gostaria de poder concluir o contrário, mas, infelizmente, o aparente sucesso externo não é sinônimo de sucesso interno. Com raríssimas exceções, os discursos truculentos de seus eleitores fazem prova do que estou escrevendo. Jornais, canais de tv’s, revistas eletrônicas, twitter’s, blogger's, vídeos de fundo de quintal, tumblr’s, atiram tantas merdas de suas janelas que, de tanto ler porcarias as pessoas já estão tendo surtos de dislexia. Temo que antes do dia vinte e seis de outubro sobrevenha uma verdadeira guerra, posto que o bombardeio cibernético já foi declarado. E ai daqueles que ousam criticá-los. São convidados a se juntarem aos acéfalos. Mirem-se no exemplo do que fizeram e ainda estão fazendo com a honra do sertão nordestino. Devemos muito ao Nordeste. De lá vieram os maiores gênios que conheço. Alguns deles preferiram se desligar para não dar a impressão de que estão consentindo com esses comportamentos repulsivos. Muitos Aecinídeos ficarão presos em sua rede, mas, não espere que os mineiros compactuem com essa teia de imoralidades. As pontes ideológicas pelas quais as pessoas atravessavam para se acrescerem umas das outras estão infrequentáveis. Uma após a outra, ruíram sem solução possível. Se o candidato deseja mesmo resgatar o espírito do empreendedorismo político, esclareça aos eleitores que para ser bem sucedido não é preciso apenas trabalho, mas, principalmente, eficiência nos resultados. Queria que suas ações sociais enquanto foi governador do Estado de Minas Gerais valessem ao menos o movimento do meu cursor. Memória fraca não é uma das características de Minas. As respostas às suas ações traiçoeiras vieram nas urnas. Sua infidelidade governamental deixou claro que o candidato, para conseguir o quer é capaz de passar por cima de qualquer coisa, inclusive da Carta Magna. Eis os dizeres da nossa bandeira de protesto: “Sou mineiro e não voto em Aécio.” O candidato não perdeu apenas o nosso apoio, mas, sobretudo o nosso respeito. E continuarão me dizendo que o candidato Aécio é problema dos mineiros. Protestarei devolvendo que, se eleito, será de todos os brasileiros. Enquanto o futuro do país estiver pendente, não faremos ode a uma fraude. É nossa obrigação alertar os eleitores o descaso que experimentamos na pele. Lamentavelmente, há os que definem o seu voto com base no que ouvem nos debates, desprezam dados históricos, e muitos deles não percebem a teatralização do horror. Representar papéis com tamanha dissimulação realmente não é para qualquer um. E nem poderia. Isso é tarefa para um grande ator. Não espere que os mineiros aplaudam um performático mascarado, muito pelo contrário, os mineiros de honra não sentem senão uma impronunciável vergonha. Sua ambição insaciável em fazer da fraqueza alheia combustível bastante para manter acesa a chama de seu Ego beira ao intolerável. E já não se pode distinguir o que é mais deprimente, se é ser testemunha ocular da barbárie ou ver as pessoas reproduzirem a sua perversidade. Um comportamento atípico para quem pretende um cargo austero como o de Presidente. Com todo respeito ao seu eleitorado sério, porque ele existe, não faz ideia do mar de lama em que afundam os loucos que seu discurso de ódio tem fabricado. “O inferno são os outros”, argumento usado pelos que estão acima do bem e do mal, como descendentes de deuses ou demônios que, incapazes de assumirem seus erros, transferem para o outro a culpa de seus próprios transtornos. E não se trata apenas de um povo que perdeu a confiança uns nos outros, mas de um povo que perdeu a confiança nos seus propósitos. Se eleito, espero que o candidato Aécio Neves seja para o Brasil o que não foi para os mineiros. Estamos fartos de progressos imaginários. O Brasil é um país deveras sério para ser entregue nas mãos de um aventureiro. Sim, as aparências enganam, por isso os tucanos as cultuam tanto. Presidir um país sem que a mão direita saiba o que faz a esquerda não me parece razoável. O dedo indicador está sempre no ar para assinalar a grandeza da soberba, da brutalidade, da truculência. Convenhamos, candidato Aécio Neves, essas são lições excessivamente pesadas para serem ensinadas a um povo tão leve. Como caso clínico, sua campanha entrará para a história, não apenas do Brasil, mas para as enciclopédias psiquiátricas. Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado. Procure o ambulatório mais próximo. Ser não tem conserto, mas tem remendo. Se confirmada, a vitória de Dilma Rousseff será a maior vitória da democracia. Outra vez, sobre o poder da mídia. No que depender de mim, a mulher que Dilma Rousseff fez de si terá continuidade aqui. Não hesitarão os meus dedos. Dia vinte e seis de outubro é o 13 que aperto. Respeito a sua escolha, com a condição de que respeite a minha. Isso é democracia.


 
P.S.: Meu nome é Lídia Martins, estudante, poetisa, meus mestres ascensos são Bertolt Brecht, Charles Baudelaire, Fiódor Dostoiévski, estou amando, sou budista e esse é, como nunca poderia ter deixado de ser, o nível de uma eleitora do PT. Namastê.

Lídia Martins