Seguro entre os dedos esta
abstrata ampulheta com que penso
contar o tempo e, areia por areia, a vida se esfarela ...
Nada pesa tanto quanto os anos, ou, por assim
dizer, a consciência de que não
são eles, mas
nós, quem estamos passando... Olho
para o instante que não cessa, nem
se interrompe e concebo-me
num verso
efêmero
perecível,
descontínuo.
Fragmentos que assumem
a forma de um sonho desperto.
Quanto mais me oculto atrás destes reflexos,
ainda mais nítidos eles ficam. Eu creio ver outros. É o que os
espelhos
me mostram. E, de súbito, descortino-os. O não ser do ser.
Quando foi que me tornei invisível? Estou nestas palavras que
escrevo agora. E estarei também amanhã, quando eu for apenas uma memória.
Quando foi que me tornei invisível? Estou nestas palavras que
escrevo agora. E estarei também amanhã, quando eu for apenas uma memória.
Lídia Martins
6 comentários:
Poderia dizer que só o que é invisível existe. Todavia, também há quem diga que o invisível existe sim! Mas pouco. Pergunto! Como pode ser pouco o vento que move as barcas, ou o tempo que esculpe montanhas? Como pode ser pouco o amor que nos desarma, ou a fome que nos consome as entranhas? Como pode? Como pode ser pouca a força de quem se olha com a alma em chamas?
Bonito texto, Lídia. Continuação de uma boa tarde.
Queria comentar, mas não consigo!
Pego na ampulheta
na parte estreita
entre o efêmero e o perecível
Inverto, e espero que o amanhã desça
até ser
a memória de hoje
Eu cheguei a visualizar uma tela formada pelo rolar da areia entre os vãos dos dedos, e por ela passando a vida, que ao mesmo tempo que a estamos vivendo, no segunda seguinte já é passado, já é um filme esmaecido pelo próprio amarelado da areia.
E é, neste esmaecimento, que vamos ficando invisíveis, embora estejamos o tempo todo ali, porém alternando entre o expectador e o personagem da história.
Pipa Menina,
que saudades de você!
Será que lembras ainda desta tua amiga antiquada que se rescusa a aderir aos mecanismos que facilitam a comunicação, mas que ainda sim, faz do coração uma espécie de rede?
Pipa,
você é grande fonte de inspiração.
Desejo que 2014 te abrace tão forte e gostoso que pareça-se com um ninho para uma loucura de coisas boas na sua vida.
Um bijo,
dois abraços,
e muitos afagos no seu coração.
Não haverá um só dia que eu não regue esta planta linda
"não-te-esqueças-de-mim,
e tratarei de fazer dela muitas mudas, preciso sair por aí, a distribui-las porque, também pasma ando com as pessoas, linda Pipa, quando foi que elas se esqueceram?, seria tão mais fácil começar do começo, mas perdemos a hora, não foi?
Teu comentário abre portas para tantas reflexões, como vicejam de você, cara amiga, flores, mesmo que silenciosas, porque assim são as flores, não?... perfumam antes de mais de nada,
perfumadas sejam tuas estradas, e que eu possa saber de ti em breve, portadora de boas novas.
Podemos esperar, sonhar, podemos, não podemos?
Obrigada por me escrever,
seu gesto devolve-me significados.
Be
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