6.13.2012

Apenas respirar...





"Fique aqui comigo. Vamos apenas respirar."

Just Breathe
Pearl Jam


*Pra Pipa, a moça menina que voltará a acreditar em príncipes.

"Aqueles velhos dias de chuva voltaram. Uma vez por ano eles voltam. A cada ano, em sua devida estação, tenho plantado sementes bem específicas, cuja própria terra me ensinou a semeá-las adequadamente. Se fora da estação, com ou sem chuva, elas não rompem a terra novamente virgem, muito menos germinam. Assim como a devida chuva, uma vez por ano volto a rememorar minhas saudades. Diferentemente de Gaia, por vezes gero em meu seio colocações inadequadas: chove quando minhas sementes precisam de sol, e há uma estiagem quando nada de água cai. Percebi que meu ano pouco tem forma e sentido. Meu ano é finito, enquanto suportar abrir os olhos pela manhã. E nessa duração vou semeando, aguando e colhendo à mercê de fatores que - muitas vezes - de nada tenho a ver. É complicado quando chove de mais. Mas sei que sem essa chuva tanta secura de antes não teria como curar. Só assim pra deixar esse seio novamente fértil."


Sabe gente,

Passei tanto tempo encarando fantasmas, que comecei a acreditar que era um deles. Gostaria que soubessem que cada comentário aqui postado é uma prece que me circunscreve. A palavra é um fruto que colhemos da boca para alimentar a fome do outro. Têm-se os verdes, os de vez, os maduros. Depende de cada estação do espírito. Há também os frutos podres. Mas não podemos desmerecer as árvores por isto. Estou convencida de que chegará o dia em que deixaremos de ser só palavra, para sermos só poesia. Isto acontecerá quando compreendermos que, bem, dedos são agulhas. Isto significa que devemos usar as linhas para costurar feridas ao invés de reabrí-las. Por tudo o que temos compartilhado, obrigada, obrigada e obrigada gente. Embora saiba que, não importa o número de vezes que eu repita esta palavra, ela nunca será suficiente.

Santiago,

Graças a pessoas como você o A gente podia se ver no ar tornou-se um ir e vir de extremos. E é exatamente isto o que faz deste céu um lugar imenso. Nos olhos de quem ama chove. Às vezes, sem parar. Mas depois estia devagar. Velho, meu irmão de constelação, não estaremos sós. Não somos ilhas. Somos continentes. Suavidade e segurança à deriva, neste oceano de tinta. Vamos apenas respirar?

Te abraço sem soltar.

Sua, para sempre,

Pipa

3 comentários:

Shuzy disse...

Porque às vezes não há o que comentar... Mas a gente escreve qualquer coisa, apenas para o outro saber que de alguma forte atingiu nossas emoções. Sempre tem tanto sentimento aqui...!

Luzia Trindade disse...

Que lindo!

Velho Santiago disse...

Pipa.

Se precisar ir, vá.
Se puder voltar, volte.

Nada sei sobre o tempo, mas se chegada a hora nos reencontremos por esse espaço.

Forte abraço.
Grato pelas singelas palavras.