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11.07.2009

Do que vai nela

Ainda cinzento. Mas é dia aqui dentro. Um pingo fresco de chuva me acariciou o rosto obrigando-me a abrir os olhos. E os gritos terríveis da noite passada escoaram pelos ouvidos, arrancando-me do meu delírio amoroso. Só tenho a lembrança do seu sim incondicional. Enxuguei as mãos e o peito com um linho molhado. E me levantei da cama. As palavras me purificam em parte. Meu coração ainda bate precipitadamente. Mas não é mais por ele. E sim por um trovão que ribombou ao longe. Cambaleante. Dei uns passos inseguros em direção a minha janela. Estou tentando desinflamar os olhos. Não sei precisar quanto tempo durou o estado de inconsciência. Raios de sol inundaram meu quarto. Tudo estava tão limpo. Meus olhos seguiram a luz. Uma voz serena repetiu duas vezes o meu nome. Mãos invisíveis me dirigiam os passos. Parecia que a paz tinha sido concluída com o meu coração. Mas sei que a trégua é breve. E não aperto o passo. Eu nunca mais quero ouvir dos lábios dele esse tom frio com que me governa. Eu já não me importo com um monte de coisas. Não quero para mim o egoísmo de o reter aqui. Eu não tenho respostas. Não me atrevo às perguntas. As palavras se abraçam num tom de despedida. Dialogo com a sombra. É tudo verdade. Mas pra ser honesta, Senhores. Por mais interesse que eu tenha no passado. Prefiro o presente.
Com amor,
Pipa.

2 comentários:

Anônimo disse...

"Não quero para mim o egoísmo de o reter aqui. Eu não tenho respostas. Não me atrevo às perguntas. As palavras se abraçam num tom de despedida. Dialogo com a sombra. É tudo verdade. Mas pra ser honesta, Senhores. Por mais interesse que eu tenha no passado. Prefiro o presente." Perfeito!!! É pipa, a Senhorita tem o dom de ler com os olhos da alma o que tenho vivido. Parece até que você estava lá naquele momento porque narrou fidedignamente o que senti. Realmente as palavras se abraçavam em tom de despedida... por mais que eu não queira acreditar nisso... Achei melhor abraçar a esperança e imaginar que esse Natal será ao lado do meu futuro marido! Mas a disputa entre a fria realidade do "nunca mais" e do "felizes para sempre" me atormenta, me irrita...mas é o que me faz viver.... e lá na frente recordar isso com gostosa nostalgia de quem fui feliz, até quando sofri!

Anônimo disse...

Olha eu vou te confessar uma coisa. Eu tb já dialoguei com a minha sombra. É algo muito sinistro. Essa coisa de ser só mesmo entendeu. Mas te confesso que nunca alguém me escreveu com tanta precisão assim. Quisera eu ter um dom desse.


Não me canso de ler vc Pipaaa...
Continue postando.
Beijão

Ulisses.