3.11.09

As cores

Hughie Lee-smith, 1957. 

É certo que estou em algum lugar dessa imagem, 
sem outras testemunhas, 
além das cores.

                                            Ela tornava o céu ciumento com as suas cores. E o que vinha dele era solitário como a versão de um poema inacabado. Cuidava de uma lâmina rija que lhe fazia pequenos cortes, e desejava a ela uma boa noite de chuva vermelha. Mas ela era doce o bastante para fazer com que ele se abrisse em sol. Como quem lutava para que a fantasia não desaparecesse, bordava seu nome nos ares. Brumoso comenta que a carrega, à deriva na via Láctea, arando o céu de estrelas com a força de seus mistérios. Porque seu amor está entre o céu e a terra, num secreto calendário dedicado ao vento.

lídia martins

3 comentários:

Anônimo disse...

Surreal

Abração

Gustavo

Cris Teles disse...

Que lindo isso...
Beijos!!

Noemyr disse...

Lindíssimo, Pipa!
beijos :*