31.12.14

GUANTANAMERA


Hoje, manuseando um livro velho, escorregou dele uma frase de Heráclito de Éfeso: "Ninguém entra no mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece, já não se é o mesmo, assim como as águas, que já serão outras." Seria de supor que, a notícia de que ele havia se ca... (lado?!) era, a princípio, o antídoto para o veneno da obsessão que eu havia ingerido. A simples hipótese de que sua vida estivesse preenchida pela vivência de uma poesia rival me deixou completamente entorpecida. Que pílulas amansariam os selvagens cavalos da felicidade a conduzir a carruagem sem amo de minha memória naqueles dias? Pensei na palavra esperança. Depois despensei. Por mais que eu tentasse afugentá-la, uma certeza me acompanhava: era preciso continuar, com ou sem o terceiro Adão de minha terra arrasada. Lembro-me de, quando menina, ter feito um empréstimo de um volume de geografia e contemplar maravilhada um mapa da América Central. Talvez fosse hora de visitá-la...

— Charutos?  — ofereci.
— "Cohiba?!"
— Guantanamera!  —  menti que sim.

Pensei em ritmos como rumba, son, mambo, tango ou até mesmo flamenco que embalaram meu coração tropical neste ano, mas você o sabe 2014, o verão chegou, o verão sempre chega. É impossível ficar nostálgica com este sol metralhando a minha cara. Tão bom te ver de novo Sol... Ainda que seja apenas na minha imaginação. Doura minh'alma clara e mantenha acesa a chama de minhas ardências. Em 2015, é só o que  peço em troca. E por falar em céu, sol, e sobretudo em água... Aprendi com os rios: a me deixar levar pela correnteza das águas sem temer a queda livre das cascatas. E é com esta salsa que me despeço agora: Guantanamera!!! 2015, conceda-me o prazer desta dança melancólica.

P.S.: E vocês aí, que estão sempre comigo,  recebam o tamanho invisível do meu carinho.

Feliz 2015!
Um beijo,
Pipa.

3 comentários:

Unknown disse...

Não pode imaginar a emoção que este texto me traz, Lídia. Antes de tudo pela qualidade literária e seu estilo impar. Mas também por marcar o encerramento de um ano muito especial. Você que tem tanto a comemorar hoje, me inspira particularmente para o novo ano.

Beijo, moça! Parabens!!!

Carlos Roberto disse...

Saudades da sua escrita, Lídia. Mais um belo texto. Engraçado. Hermético qb. Mas nem por isso deixando de parte o sentimento e o desejo de um futuro frondoso. E, por falar em água... é isso: aprender com os rios a deixar-se levar pela correnteza das águas sem temer a queda livre das cascatas. Acredito também que só ousando em profundo, vasto e silencioso mar, podemos almejar descobrir e a maravilhar-nos com a verdadeira beleza que se encerra sob o azul das águas. Feliz 2015 para si tb!

Salve Jorge disse...

Se a Pipa voa como água da chuva
Creio que cai como uma luva
O carinho que reverbera daí
Que como Dali
Derrete verões
Verão...