Hoje, manuseando
um livro velho, escorregou dele uma frase de Heráclito de Éfeso: "Ninguém
entra no mesmo rio uma segunda vez, pois quando isso acontece, já não se é o
mesmo, assim como as águas, que já serão outras." Seria de supor que, a
notícia de que ele havia se ca... (lado?!) era, a princípio, o antídoto para o
veneno da obsessão que eu havia ingerido. A simples hipótese de que sua vida estivesse preenchida
pela vivência de uma poesia rival me deixou completamente entorpecida. Que
pílulas amansariam os selvagens cavalos da felicidade a conduzir a carruagem
sem amo de minha memória naqueles dias? Pensei na palavra esperança. Depois
despensei. Por mais que eu tentasse afugentá-la, uma certeza me acompanhava:
era preciso continuar, com ou sem o terceiro Adão de minha terra arrasada.
Lembro-me de, quando menina, ter feito um empréstimo de um volume de geografia
e contemplar maravilhada um mapa da América Central. Talvez fosse hora de
visitá-la...
— Charutos? — ofereci.
— "Cohiba?!"
—
Guantanamera! — menti que sim.
Pensei em ritmos
como rumba, son, mambo, tango ou até mesmo flamenco que embalaram meu coração
tropical neste ano, mas você o sabe 2014, o verão chegou, o verão sempre chega. É impossível ficar nostálgica com este sol metralhando a minha cara. Tão bom te ver de novo Sol... Ainda que seja apenas na minha imaginação. Doura minh'alma clara e mantenha acesa a chama de minhas ardências. Em 2015, é só o que peço em troca. E por falar em céu, sol, e sobretudo em água... Aprendi com os rios: a me deixar levar pela correnteza das águas sem temer a queda livre das cascatas. E é com esta salsa que me despeço agora: Guantanamera!!! 2015, conceda-me o prazer desta dança melancólica.
P.S.: E vocês aí, que estão sempre comigo, recebam o tamanho invisível do meu carinho.
Feliz 2015!
Um beijo,
Pipa.
3 comentários:
Não pode imaginar a emoção que este texto me traz, Lídia. Antes de tudo pela qualidade literária e seu estilo impar. Mas também por marcar o encerramento de um ano muito especial. Você que tem tanto a comemorar hoje, me inspira particularmente para o novo ano.
Beijo, moça! Parabens!!!
Saudades da sua escrita, Lídia. Mais um belo texto. Engraçado. Hermético qb. Mas nem por isso deixando de parte o sentimento e o desejo de um futuro frondoso. E, por falar em água... é isso: aprender com os rios a deixar-se levar pela correnteza das águas sem temer a queda livre das cascatas. Acredito também que só ousando em profundo, vasto e silencioso mar, podemos almejar descobrir e a maravilhar-nos com a verdadeira beleza que se encerra sob o azul das águas. Feliz 2015 para si tb!
Se a Pipa voa como água da chuva
Creio que cai como uma luva
O carinho que reverbera daí
Que como Dali
Derrete verões
Verão...
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