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4.20.2012

O Grande Espírito



“As coisas têm vida própria, tudo é questão de despertar a sua alma.”
Pergaminhos de Melaquíades In.: Cem Anos de Solidão





Gabriel García Márquez




Sempre que escrevo um texto e o deito ao lixo, sinto que sou eu quem ali fico. Eu quero fazer filhos. Não livros. Peguei a caneta. Tentava escrever, mas as palavras voavam das páginas, como folhas que se desprendem de galhadas secas.
Quartos são um dos poucos lugares seguros que ainda restam no mundo. Dentro deles é possível derrotar exércitos inteiros de memórias. E sem mover um músculo. Os olhos giravam com o isocronismo de um pêndulo: para lá e para cá, a tangenciar o mistério. De quando em quando, as pálpebras semicerravam como se quisessem e pudessem, dentro daquele escuro silêncio, encontrar um ponto cego, lento, fixo - o ponto de equilíbrio. Em pleno apagão, percebi que meus desunidos sentidos marchavam novamente em minha direção. Vagando pelos corredores das noites insones, a luz ressurgia daquela tumba em que se enterrou viva.
Noite passada, sonhei que era personagem de um conto de fadas. A Bela Adormecida. Mas o príncipe não sabia que era ele quem devia beijar a princesa. E ela dormiu pelo resto da vida. Em meu mundo, é mais ou menos assim que as histórias terminam. Os príncipes de hoje em dia são tão desencantados que estão perdendo até para os sapos. Ao contrário dos príncipes, os sapos possuem sabedoria anfíbia. Não falam, fazem melhor: coaxam. Em outras palavras, sabem exatamente o que fazer com a língua. O que de certa forma me deixa contente, porque isto comprova a teoria sobre o amor que escrevi quando menina. (Vai ver o amor é isso mesmo. Um sapo verde, enrugado, cheio de sardas, e que talvez nem exista). A grande maioria dos príncipes usam suas longas e pegajosas línguas apenas para capturar moscas. E isto não é uma teoria, é antes, uma estatística. Simplificando meu conto, chega de celebrizar a cabeça de príncipes desencantados. Vamos celebrar os sapos.
Acabo de derramar leite no prato de Rimbaud Arthur. Meu gato. Assim que ele terminar sua refeição pedirei licença para abraçá-lo. Não sei porque raios ainda lhe oferto estes gestos de afeto. Este ingrato sempre encontra um modo de recusá-los. Rimbaud Arthur é semelhante a algumas pessoas que conheço. Tem vaidade felina, se lambe muito. É um gato malicioso, irônico e atormentado. Mas ainda é um bom gato. Agora ele está fazendo sua pose característica. De abandono?! Não. De expectativa. Devolvi-lhe o olhar agateato e reparei naquela expressão esquisita. Deixei-o de lado. Especialmente esta noite, estou sem ânimo para decifrar enigmas, sobretudo de ronronados. Rimbaud Arthur continuou tomando seu leite, sossegadamente indiferente. Gosto do modo como ele se doa: a conta-gotas.
Esta casa fica encantadoramente assombrada quando seus ocupantes viajam. Agora me deito. Fitando o teto. Ao menos desta vez ele não tratou de desviar o olhar, embora continue incrédulo. Olhei-o. Olhamo-nos. Por um instante, à minha frente, abriu-se-me uma espécie de buraco negro. Olhei em volta. Os cômodos estavam reluzentes de silêncio. Nada se ouvia, nem mesmo o rotineiro agito dos insetos que costumam entrar em órbita e gravitar em torno das lâmpadas. Na falta de coisa melhor para fazer, fixei-me naquele poço negro e sem fundo e encarei-o.
No princípio, tomei nota de uma incógnita escada. Uma espécie de passarela a vapor com degraus em forma de caracóis que subiam letargicamente pela fantasmagórica neblina se erguia diante de mim. Dei o primeiro passo em sua direção e sem esconder a aflição que me devorava as entranhas, adentrei-a. Devo ter ficado ali por quase uma hora, parada, mas com a apocalíptica sensação de que minha alma estava sendo carregada. Do nada, uma mão de fumaça esbofeteou minha cara. Quando recobrei os sentidos, eu já havia me perdido nos domínios daquele labirinto de paraísos e infernos que caleidoscopicamente se distorciam. Abri os olhos tentando recuperá-los nos minutos que se seguiram. Olhei à frente. Como fratura exposta, no coração da colina, uma espécie de prisão surgia. Cobertos com retalhos de tendas e lonas, esqueletos de picadeiros circulares se elevavam nas alturas e dezenas de assentos vazios giravam em seu entorno. Em um movimento sufocado, lento, cíclico, silhuetas vestidas de farrapos cirandavam nos ares de um céu estampado em chamas, como um balé maldito. Eram criaturas de um velho e abandonado circo...
Esperei alguns instantes até que a visão daquelas bizarras figuras se aproximasse. Inacreditáveis - suspirei. Eram os amigos invisíveis que fiz nas ruas de Macondo, quando passeava pelas páginas de Gabriel García Márquez. Lembro que, quando passei por aquela feira multitudinária fiz um silêncio especial para escutá-la. Um delírio kafkiano. Ali, até mesmo a treva falava. Melaquíades. Um nome sempre recorrente em minha memória. Muitas vezes parava para escutar suas filosofias ferromagnéticas e conjecturava se ele não poderia aproveitar o ensejo e usar seus imantados conhecimentos para  reunir as peças soltas do meu cérebro, sobretudo alguns parafusos que fui perdendo com o passar do tempo. Suas palavras me arrastavam como um imã. Assombrada pela curiosidade, muitas vezes me sentava debaixo de sua tenda  e o observava por horas seguidas. Houve momentos em que cheguei a levantar a palma da mão imaginando que ele a veria. Notando que não dava a mínima, resolvi fazer as coisas à minha maneira.
Amaldiçoei a hora em que tive a ideia de arrancar uma das páginas daquela história, pensando encontrar naquele pergaminho alguma porta para escapar à loucura que me rondava.- “As coisas têm vida própria, tudo é questão de despertar a sua alma.”- ensinava o catalão com aquela calma premeditada que o caracterizava. Na tentativa de decifrar suas charadas, enchia meus bolsos com suas palavras e saía correndo estrada a fora para depois atirá-las, todas, em minha caixa mágica. Encerrada a excursão espiritual montesinaica, tarde da noite, quando tentava voltar para a cama, tinha a sensação de que minha imaginação continuava a peregrinar por uma espécie de montanha sagrada e, invariavelmente, assim como aquelas pessoas, enroscava o fio da meada e descobria-me ainda mais perdida do que já estava.
Lembro que, quando finalmente encontrava coragem para abrir aquele baú de personagens lendários, era instantaneamente bombardeada por centenas de mísseis intercontinentais teleguiados. Nuvens ogívicas de interrogações se formavam no ar como se quisessem e pudessem mapear a rota que meus dedos iriam dar àquele tesouro particular. Esperei seguidas horas, ansiando pelo momento em que aqueles rastros de pólvora se transformassem em poeira cósmica.  Mas isso não acontecia nunca. De dentro daquelas nuvens interrogatórias de fumaça, Melaquíades me sorria enviesadamente, pensando, talvez, que eu fosse a reencarnação daquele escorbuto malvado e que estava de volta para arrancar o resto dos dentes postiços que, num ato final de misericórdia, Gabriel García Márquez lhe havia deixado. Fiquei calada, ouvindo a voz metálica de seu criador sussurar: Ladra. É por uma boa causa - explicava minha consciência em voz alta, enquanto aquele garfo poseidônico da culpa me espetava as nádegas, tentando arrancar à força, uma confissão que eu só daria no momento ideal: quando já estivesse morta. Nos relatos de Cem Anos de Solidão, reconhecia as pegadas que tive apagadas. Razão e emoção disputavam queda de braço valendo o paradigma perdido da existência humana e, como esperado, empataram.
 Aí vem eles. Por quem nos tomas? - perguntaram-me. Por esta lacuna que se abre - comecei tentando deixá-los à vontade. A primeira: um saltimbanco de dentes encouraçados. Discutia concentricamente com a segunda figura: uma cega trapezista "- Não sou uma ovelha, seu otário!" - bradou ela na fileira da esquerda, tentando dar senso de orientação àquela espécie de apascentamento irresponsável de seres inanimados. A terceira, uma malabarista de seis braços. Empunhava uma espécie de lança que fazia menção de espetar os olhos da quarta figura: um palhaço que tinha apenas uma cicatriz no lugar dos lábios. O palhaço que não sorria usava peruca e vestia uma fantasia de bolinhas. A fantasia era tão velha que, só de olhar, se desfazia em partículas de poeira fina. Mais à frente, a quinta. Esta não tinha aparecido ainda, ao menos, não me lembro de tê-la visto cinderelar naquele palco de assombrosas conjecturas. Talvez ela tenha criado asas e voado daquelas páginas, como pássara exótica que se recusa a ser catalogada. Era a quinta uma estonteante e enigmática equilibrista vestida de bailarina. Tinha os pés enfaixados. Sua alma parecia uma porcelana que alguém havia quebrado. Partida em mil pedaços, a equilibrista segurava nos braços um bebê que tinha olhos e reflexos trincados. A criança de alma vítrea usava um par de sapatilhas. Abraçada a eles, a sexta e última figura daquele baralho de antiquário que, também não apareceu na história possivelmente porque fora reprovado por parecer qualquer coisa menos um mágico; mas que acabou sendo apregoado de última hora para completar o cenário: um mago sem cartola. Seus olhos tremeluziam, mas não era de brilho, era de agonia ao ver sua filha petrificada nos braços da bailarina. Pareceu-me que tentava salvá-las, mas alguma força maligna o impedia. O mago tinha nos ombros um pombo-correio com uma corrente de ferro presa ao tornozelo. Dediquei toda a minha atenção na teatralização daquela dor funda, forte, fria. Notei que todos eles tinham algo em comum que os unia. Uma ferida. Havia buracos tão grandes no peito, que alguém poderia cair ali dentro.
Alinhei as criaturinhas com uma meticulosidade quase científica. Quis consertá-las. Em outras palavras, queria devolver-lhes o sopro da vida. Mesmo sabendo que ser não tem conserto. E nem remendo. Mas se por um golpe de sorte eu enganasse a morte, poderia devolver o alento das esperanças perdidas senão a todos, ao menos a este mago sem cartola, a esta criança de sapatilhas epifânicas e a esta equilibrista vestida de bailarina.
Acendi duas velas brancas e fiquei rindo de minhas fantasias ciganas. Permaneci ali um bom tempo, assistindo àquele espetáculo de silêncios. Uma sombra de esperança pousou a mão em meu ombro. Na presença daquela sombra amiga, reuni forças para ir em frente com o meu dia. Por um instante, pingo a pingo, senti que a coisa ganhava forma e se instilava em minha alma. Mas era só a chuva que, num aviso sem palavras, tornava a cair atrás das vidraças. Fixei os olhos naquela pequena lareira de cera e os perdi entre as chamas prateadas. A distância fez de nós estátuas de cinzas - confraternizei solidária junto àquelas esquecidas criaturinhas. Nos pavios, como véus de sonhos, as luzes evanesciam.
Encarando fantasmas de lembranças. No escuro: como brilham...
Fechei os olhos para em seguida abrí-los. A medida que a luz me abandonava, notei que a estranha substância luminosa na ponta dos pavios não se apagava. “As coisas têm vida própria, tudo é questão de despertar a sua alma.” - sussurava a voz aprisionada naquelas páginas. Imediatamente, meus olhos saltaram para aquele misterioso ponto incandescente. De repente, a chuva enxugou as faces cheias de lágrimas, a treva ficou cega, a chama ficou plasmada e uma onda de luz arrebentou em minha cara. E mergulhei, lenta, em um oceano de consciência. Desatei os nós duplos que estavam impedindo minha imaginação de voar para outros mundos e saltei para fora daquele poço negro e sem fundo. Aclarei os sentidos, entrando em uma espécie de transe xamânico paracientífico. Mordi os lábios como se fosse arrancá-los e, compreendi então que aquelas inquietações que me haviam consumido eram dores de parto. O motivo: eu estava prenhe. Do Sentido.
Rodeei a escrivaninha e, revirando o cesto, encontrei o texto. Dobrado, amassado, rasgado. Nos reluzentes lençóis de papéis as palavras sangravam. A bolsa tinha se rompido sem aviso. Dediquei horas a inspecioná-las. Desamassei-as como se pudesse recobrar-lhes os sentidos já falhos que, por pura estupidez, eu havia saqueado. Reiventa-nos, oh homem-rocha, a perdida força - recitei. Daqui, do silêncio insepulto de teus lábios, escuto grito. Em nome do pai, materialize-o! - supliquei prestes a arrancar daquele ventre de papel a luz que tinha visto. Só quando a  vi de frente é que percebi que tinha alguma coisa a mais que o resto dos demais...Dentro daquele ventre de papel, alojava-se um Espírito. Esperando apenas pelo momento gravídico em que seu criador daria à luz aquele sopro divino. Como num passe de mágica, alquímicos, os olhos de pedra de todos os personagens daquele macondiano circo se abriram e, sorrindo, vieram celebrar comigo. Estão vivos! exclamei chamando Rimbaud Arthur para testemuhar aquele feitiço. Naquele exato instante todo o exército de pêlos do meu gato ficou em riste, tentando, quem sabe, não sei, talvez seja isto, se proteger daqueles arrepios inimigos.
Não foi preciso que eu enganasse a morte. A alma é imorredoura e, exatamente por isto, trás consigo a inarredável prerrogativa do escape. Compreendi naquela hora que tudo à nossa volta tem alma, sobretudo as coisas que acreditamos inanimadas. Ali bate o coração de quem se dispôs a viver, matar, morrer e até renascer para que elas ganhassem forma.
Segurei o texto entre os dedos  como se quisesse e pudesse memorizar as feições delicadas da recém-nascida metáfora. Meu mais novo Ser, seja bem vindo! - exclamei maravilhada, enquanto o saudava com um tapinha nas costas. Seu primeiro suspiro: um grito. Não sabia exatamente o que seus olhos cintilantes tinham visto, talvez tivesse apenas se assustado com a minha cara de pão dormido. Dizer o que? O espanto é mudo. Isso vai doer, mas é só um pouquinho - completei sorrindo enquanto cortava com a tesoura o cordão de seu umbigo. Chamei-o: O Grande Espírito, embora soubesse desde o princípio que, bem, para certos fenômenos não é preciso substantivo, já o são em si, pelo simples fato de que nos habitam. Em minhas mãos, consumava-se o milagre da criação. Ser não tinha conserto, mas tinha remendo. Foi como se a alma de cada palavra despertasse de seu sono de lápide e, ao finalmente soletrar-se, festejasse o seu nascimento.
Passei cem horas, de cócoras, a parir este menino. Suplício que suportei, heróica, com uma prodigiosa caneta entre os dentes, um maço de folhas brancas, café preto e, claro, meu filho; com muito estoicismo.



Lídia Martins

13 comentários:

Alvaro Vianna disse...

Para quem como eu torcia para te ver entregue à literatura por ela mesma, este texto é lapidar. A escritora já se via muito antes. Agora vejo amplitude temática e ambição artística para qual ainda não vejo limite.

Beijo, queridíssima.

Velho Santiago disse...

Lídia. Qdo diz "café" preto ou não preto é como se chamasse o Velho. E vim, viu? Dividir esse café é necessário pra lhe escutar. E de tanto ter com você ele esfria. Na xícara mesmo.

Eu nunca acreditei em princípes. Talvez por isso não possa compartilhar da sua desilusão. Mas em sapo acredito, já até pisei nesses e, me escute, são ascorentos! Aceitando sua premissa que sapos são melhores que principes, consigo desenhar o que eu poderia pensar como "principes". E tenho mais ascos desses então.

Mas viu, não sei se alguma vez fui princípe de alguém. Sapo fui mtas, e mesmo assim (mesmo os sapos sendo melhores) jamais fui desejado por ser sapo. E elas todas desejavam príncipes...

Quando quero café quente, às vezes queimo a língua. Mas gosto, sabia? Não é sadismo. É cefeísmo. Talvez essa menina que te habita sofra de princepismo. E essa velha que têm ocupado sua cabeça de sapismo. E a moça Lídia.. é hora dela ponderar sobre as coisas... (só assim me aguento, sempre o moço intercedendo...)

Te contar um segredo: sempre vi principes e andei com eles (mas ainda não acredito neles!). Sei como pensam. E olha, eles não pensam em magoar. Eles sequer pensam! (em vcs, princesas). Eles pensam é em voltar a serem sapos, sempre, e assim ganhar outro beijo de outra princesa. A lógica é essa. Não condeno.. quem não gosta dum beijo de uma princesa? Claro que não aprovo! Cada conto de fada com um só final feliz!

Mas Lídia, gosto da profundidade de você, como bem vem trabalhando seus textos. Sempre digo que és uma de minhas webliografias preferidas. Olha só: 3h23 e eu aqui, conversando com vc (vinho ao lado, claro)! Tem que ser preferida sim, viu?! Mas não são suas dores ou amores que me interessam. É você. Seu texto. Sua "Lididez" que a faz Lídia.

Confesso: é a ÚNICA que paro para ler esse mar de caracteres... e jamais vou pedir que diminua! Seria ser menos Lídia. E isso não está certo. E se um dia tiver motivos pra não voltar, direi. E acrescentarei no final da frase: sem café eu não volto mais!

Velho Santiago disse...

*acentos corretos em príncipe (digitar no escuro dá nessas coisas).

Bruno Gaspari disse...

Ótimo texto!

Abraço

Roberta Mendes disse...

Essa versão ficou irretocável. Vejo que As Estátuas de Cinza ganham vida e cedem lugar aO Grande Espírito. Note que o olhar muda de foco e o sentimento que ganha voz é inteiramente outro. Porque ao invés do desacontecimento da família sonhada, damos pela realidade sensível da palavra vivida, da palavra parida da solidão das horas. Há uma redenção na proposição da mudança de enfoque da frustração de um anelo à realização do fazer artístico. E que realização! Falo baixo, para não acordar o seu menino. Que lindo ele é, Lili!

Blog do MotaMota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Denise Schmitz disse...

Well you can get out of this party dress but you can't get out of this skin.

Blog do MotaMota disse...

Agradecer também os momentos em que você me protegeu, foi tão lindo, muito melhor que poesia, serei grato para sempre. Sentimentos egoístas, não nos fazem enchegar os momentos que compartilhamos. Muito grato pelos momentos. Mulheeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeer ajeita a fonte ta tenso esse cinza apagadinho com esse branco de fundo.

Cris Carvalho disse...

Hermanita,

por onde andas?

Besos

=)

z i r i s disse...

Lembra-se prima, de quando eu depedurava meus olhos no horizonte, como quem pegou no sono com eles abertos? Pois bem. Tou cá eu, feito coruja, encorujada num galho, olhando... Mas o que? O dentro? Tenho me apartado de ti, como quem mede o pisar. Pois eu me lembro de sair um dia até tua escrita e de mim, ainda não o sei se cheguei ao menos a me retornar... Eu a evito. Por Deus! Me beslico pra saber se sou eu ou você quem me sente ou o contrário. Que seja, é quase um ritual desembaraçar meu cílios das tuas letras tão propositalmente ordenadas nos capturar. Já posso verificar se o mundo continua lá? Por trás da minha janela?

Me recordei dos sapos e da minha teoria das pedras, exceto por isto, muita coisa mudou. Eu já jurei que ele era um sapo. Não, jurei que era um princípe. Não, não. Desconfiei que era uma pedra. Voltei a jurar. Mulheres são lagoas.

Rajado (lembra-se dele?), não mais voltou após a excursão pelos quarteirões, creio que encontrou o amor. À parte o tamanho dos quarteirões próximos daqui e o tamanho do coração do bichano, desdobremos nós os nossos quarteirões e teremos uma chance, a qual eu chamo carinhosamente de horizonte. Como eu gosto desta palavra, chega ter mais sabor que alma!


Te lanço um abraço de cem voltas em volta do pescoço, não só para acarinhar-te, mas principalmente e disfarçadamente com o pretexto de que me segure firme, eu agora depois desta 'lida' vou precisar.


Ziris

Cronollogias disse...

Saudações de boas vindas ao ser nascido e cumprimentos ao Sr Rimbaud Arthur, pela distinção.

Bom fim de semana.

Leo disse...

Pipa, eu só posso dizer uma coisa, tudo que há tem vida pra nos dar, tudo espera por um olhar raro, aquele do coração. E é no momento exato entre o olhar e o toque que nos tornamos mais felizes e mais eternos.

Beijos, do amigo de asas degradê!

Ele via muito, e ver é uma cegueira. [Tristan Corbiere]

Asas que ultrapassam os domínios do Sol disse...

Pipa, suas questões sempre me embriagam, tornando o direto um caminho mais torto, mas não menos exato. Acredito que assim como Deus, o escritor nas linhas tortas, também podemos soprar a vida quando verbalizamos, desta forma, exatamente quando criamos em nossas páginas os mundos infinitos. Então as coisas tem vida própria quando permitimos o livre arbítrio delas, assim sinto que nas suas penas as palavras voam.
Hilda Freitas, carinhosamente.