10.26.2011

Reerguendo horizontes




 






Os olhos batidos pelo vento ficam sempre secos. Só o coração transborda de tanta espera. Amor é ilha deserta. Atiro ao mar o meu estrado de redes metálicas. Ao puxar de volta, só esqueletos de peixes sem lábios nem olhos. Memórias? Piso inquebrável de brilho fátuo como fogo envergonhado onde passeio descalça com o cuidado devido aos sonâmbulos. Piso ardido onde machuco os pés que projetaram o caminho antes que ele fosse desenhado na mente do Olimpo. Sigo os passos que não daria só para te reencontrar, pessoa que transcende os dias e surge com o perfil do mito. Monto na criatura alada e passo adiante me perguntando pelo destino. Mas não tenho respostas, apenas esse balão de gás aceso que sobrevoa o piso que jamais se rompe, onde caio junto com todas as gaivotas, abatidas no vôo. Vejo então que o assoalho é de lágrima que virou pedra, de gente chorada há tempos quando o amor deu as caras e foi visto correndo para sobreviver às investidas, das mentiras em rodízio, carrossel de dor quando deveria haver sorriso. Sopro naquela pedra de choro antigo e então reconheço minha voz vinda do fundo, onde deitados numa grama perdida, nos vimos nus um diante do outro e a vida tocou nosso ombro. O vento em riste foi reinventado pelo vestido, vela da paixão sem medida. Colho tudo no ar onde respiras, lá estão as flores mais bonitas, os sons mais caprichados, a pele mais macia, o rosto mais amado e estas palmeiras de esperança que ondulam como mato por ti. Sou teu monte gelado que derrete aos poucos conforme sobes no meu ombro, louco que és em me amar e me deixar que te ame. Perdeste a razão e me levaste junto. Fomos ungidos por tudo o que tinha virado sofrimento e com teu toque se transformou no verdadeiro mar onde agora velejamos. Em meio ao oceano, uma maré de escuridão se levanta. Do céu, pingam estrelas. Quem sabe, talvez, tentando escapar ao seu destino de náufragas. Esvazio minha alma para encher a sua, na esperança de que uma onda preciosa de amor lhe cubra. O tom sunset do olhar suspira de amor pela paisagem, revelando o que esta primavera promete. Paro em frente ao mar e vejo as gaivotas valsarem em círculos, como se estivessem ensaiando um balé exótico no palco de um sol nascente. A essa hora da manhã o céu fica azul cobalto. Lembra um mar sereno, frio, calmo. E a lua, uma veleira silenciosa flutuando na maré baixa. Abro o baú da fantasia e grudo você numa cama infinita. Junto teu corpo como um susto, beijo tua boca como nunca, tenho-te inteiro e estamos só no começo. Não tema, amor, a noite e suas agulhas. Fique comigo até amanhecer. Cruze esse caminho na penumbra, luz do meu querer. Guarda-me no teu colo, nos teus braços, no teu peito. Deixe que os olhos alimentem a fome dos futuros beijos. Vem andar comigo. Estou descalça. O mar é fundo, mas podemos nos apoiar nos braços das rochas. Aqueço-te com meu manto de poesia, para lhe mostrar que existe vida após a oportunidade perdida. Eu só queria te falar das nuvens esparsas no céu azul deste dia. Parecem beijos que o sol dá para comemorar o clima. Não estaremos sós. Não somos ilhas. Somos continentes. Suavidade e segurança à deriva neste oceano de tinta.



Lídia Martins

30 comentários:

Nei Duclós disse...

Tsunami poético da Pipa dos Ventos. Valha-nos! Estamos no ar com esse sopro. Pura beleza. Linda

Etiene disse...

Que lindo isso ...

queria tanto dizer pra alguém .. vem andar comigo.

bjusss doce

nilson oliveira disse...

Muita dor, muita dor em cada palavra. Como entender a razão do amor nos rasgar tantas vezes e tão profundamente? Mas a busca é interminável, maior, bem maior que a dor. Bom, agora é respirar fundo.

Leo disse...

Como disse no face: Este é um dos teus textos mais poético/romântico que li.

Guarde-o, ele vai pro teu livro, aquele de paginas brancas que acabou de dizer...

Te abraço, de urso.

Guilherme disse...

Uma Ilha, é uma ilusão. Por debaixo do azul, pano do mar, encontramos um ao outro. Amor é ilha deserta, repleta de sementes. E maré é apenas o prenúncio de onda grande. Não temamos o amor, a noite, nem as agulhas. É com elas que costuramos o encontro, a luz, o sopro, o continente. Onde todos nós nos enamoramos.

Wilson Vaccari disse...

Minha caríssima, me perdoa por usar mais uma vez este meio de correspondência. Mas você sabe, não imagino ou concebo que possa haver outro.

Várias, várias semanas se passaram desde que você me excluiu.

Eu não tinha ideia de que esse tipo de exclusão podia doer tanto. Uma exclusão virtual, digital ou ainda não sei como qualificá-la propriamente.

Uma exclusão mesmo assim.

Mas, mais do que a exclusão em si, o que doeu mesmo foi meu sumário atropelamento pelo peremptório clique do teu mouse.

Assim, sem mais nem menos, assim num átimo, num segundo, foi tão duro de repente me ver separado de ti para todo o sempre.

Tínhamos afinal um cordão umbilical?

Em minha cabeça entupida de fantasias, acho que sim. Me sentia conectado a ti umbilicalmente.

E então me pus a ponderar, puxa, será que fiz algo errado?

Ah, claro. Sempre cometo erros. Enganos. Vexames.

Sou um atrapalhado.

Ainda não aprendi a domar direito as palavras que explodem para fora da minha cabeça feito estouro de boiada.

De certo cometi alguma barbeiragem vocabular contigo.

Se assim foi, quero te assegurar que não tive a intenção.

Sou apenas um menino de cabelo grisalho.

♥→ A Pétala... A Thati ♥ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
♥→ A Pétala... A Thati ♥ disse...

Depois desses sabores em forma de palavras, depois de dugustar cada um desses sentimentos, só me resta fechar os olhos e sonhar...

Beijos nesse coração e nessa mente abençoada!

Anônimo disse...

Quanta Farinha!
é Farinha pra-dá-cum-pau...
Farinha para o Trivial -
para o Carnaval - e !
para o Temporal.

Referente o Mingau Universal /
Saudações - Papi.
Lu-au.

Pipa. A Pipa dos Ventos disse...

Wilson Vaccari

Wilson querido,

Queira me perdoar, hackearam a senha do meu orkut. E desapareceram com tudo. Amigos, depoimentos de pessoas importantes, fotos. Eu não sobrei com nada. Tenho uma suspeita de quem o fez, tenha feito devagar, sem que eu percebesse. Tanto é verdade que no texto Uni-verso - fiz uma brincadeira com isso. Não tenho motivos para tomar uma decisão tão severa, até porque, suas considerações em minha página, ao contrário do que imaginas, sempre foram bem vindas. Nem mesmo tenho acesso à minha conta do orkut. Disponibilizo o meu endereço no facebook, caso queira.

http://www.facebook.com/profile.php?id=1171054015#!/profile.php?id=1171054015

Abraço da sua companheira de fadigas,

Pipa

Mulher Vã disse...

Quando seus textos são pungentes até a alma, entro aqui e saio embriagada pela visceralidade exposta. Bebo até fartar das palavras pulsantes e ordenadamente insanas.
Mas hoje, ahn hoje, esse daqui foi como um beijo na minha boca, não daqueles selinhos de amiga, foi um beijo lento, saboroso de lingua e dentes, com a intensidade precisa que só tem os beijos dados com paixão.

To arrepiada, sua maldita!

Beijos.

Vã.

Pollyanna Letícia disse...

Post lindo. Profundo e encantador.
Vou te seguir e ler-te mais e mais.
Passe no meu Singular se puder.
Um abraço.

Blog do MotaMota disse...

muito lindo continue assim =]

Anônimo disse...

Meu Caro Losta
(Losta-Losta)
A Lúdica tá ferrada - não!?
Viva o Trainning!
Mas o q dizer da Europa?
Melhor ir pra putaqparir...
Talvez Vc queira dizer q a Lírica é o q importa
(Vanhamos a Exportar)
q é o único Caminho
(repito: A Lírica) diante do q tá posto aí :
Hordas Famintas e Peste.
E o Lixo (ceis tão ligado!?)
o Lixo agora vem de Navir.
Ô-Pipa!
Feito memorável -
a ser Conferido e Prestigiado
(TUM-TUM-TUM...
mas v se descansa um pouco - bem mais do q se possa permitir /
feito memorável o seu Totem...
mas acho q Vc se precipitou /
Hei-Yô!
Yoyô...
tenho q admitir:
a idéia de q Mundo deveria se acabar em Barranco teve o Dom de me iludir.
Hi-hi...
Hi-hi hi-hi hi-hi...
Ho-ho!
quédizê:
Co-cò...
Q Bosta!
A Bosta.
Blog da Bosta.
DaBostaBosta.

Blog do MotaMota disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Pido cri...
Feca fri.

Ô Polpa!
Quero nuito pa uma alhada nuuuuu /
orça !
NO ZOOOOO...
no Totem.
'o cum poroblema c os Zani/caninos /
PÁ / Lalá...
Belê (encaixou bem)
Vou Baustar / ops...
Vou fazer uma Pauta/ uma Lauda/
mas deixa eu deixar uma coisa aqui bem Claro:
Só pra desencargo de Consciência -
q eu não quis dizer q a Pipa fez - ao invés de um Totem - um Tabu/
Não-zão...
Caiu-caraca!
Mas-q-bausta!
Q a-bausta-xi!?
Vou ter q mergulhi...
Ô - Pipa ! dá licença...
zeu ivi q saui /
'ui.

Mi Satake disse...

Pipa querida!

Qta poesia e beleza por aqui. Espaço perfeito para tudo de bom, de colorido e mais.

Vim por indicação da Sil do Entre Aspas e já me entreguei.
Super beijo e um domingo lindo!

Beijos
Michelle

elegalepoetico.blogspot.com

Anônimo disse...

Bilu-bilu /
Poseidom não tá nem aí - Pipa!
E pq deveria?
O Amor não precisa de Companhia -
e se Amizade é Alegria -
Amizade tb é Revelia /
engalobou meu Canino
e fez dele um Apita,
reunindo uma Camarilha
(engraçado q tinha até Pato)
e caindo de volta na Corrente Do Golfo;
se ao menos me dissese ser possível perceber/ ler
o Contra-Fluxo
(poderíamos (por exemplo)saber
da História Obscura
como Aquilo deu Nisso -
e até exatificar
(acredito q seria muito útil na Ciência (por exemplo)
exatificar
o q é Limpo - e o q é Sujo)
mas-não, não me disse /
"Q-mané-contra-fluxo-rapaz!
tenha Fé -
e me deu um Adeuzinho -
me chamando de Astolfo.
Bilu...
Bilu-bilu /
E Vc é um Sisudo Mascarudo
seu porra-de-nada /
Ah-tá! to entendendo:
é Pose e Dom...
Mas será q não seria?
Po-peidom?
disse-lhe ainda com a Cara na Borbulhada /
Bilu.
Bilu-bilu...
Glu.
Glu-glu glu-glu...
Mas veja o q ouvi - Pipa !
de uma Voz-Tetéia
(antes mesmo q tornasse as minhas Barrigadas/
eu não te falei
q eu não era importante,
mas q dava nem q fosse
(q já é alguma coisa)
Panacéia;
veja q Voz mais Tetéia -
veja q Voz mais Brilhante
deste Fundão Varonil:

"Morda a Língua ô Bidu!
A Europa não afundou...
foi Atlântida q emergiu."

PutaqParis!
BLUG...
Valeu Bota!
qualquercoisaumdia@
podecreamizadeamoresacanagem /
BLUG...
XBLUG.
Só pq -
adoro X.

Leila Krüger disse...

Vem andar comigo. Estou descalça de coração e vestida de infinito.

Adorei aqui... tu escreves muito bem. Tô seguindo.

Se puder passa no meu e segue:
http://leilakruger.blogspot.com

Bjo!

Roberta Mendes disse...

Antes que a internet suma na intermitência do sinal e me feche essa window de onde vislumbro teu voo, irmã querida: o que quererá dizer tudo escrito em tão assertivo presente? Sigo Monto Vejo Sopro Colho Sou Abro Estou Aqueço

placco araujo disse...

Pipa... hoje resolvi dar um mergulho em você... e pedi amizade no face e estou me tornando seu seguidor...

Fui até o twitter...(embora não acompanhe)..

Adorei seu jeito de escrever, e até ousaria dizer... "além de linda, ainda escreve tão bem!!"

Bom dia... hoje é só um primeiro contato, mas estarei sempre aqui...

Edson

::::FER:::: disse...

Levantar-se "sim" é a solução, obter as forças é reconhecer-se novamente.



:::FER:::

z i r i s disse...

O mundo já não me arrancava muita emoção...


Sempre encontrei uma chance aqui.

Te abraço!


Ziris

flats em São Paulo disse...

Simplesmente LINDO!!!!!!!

Francy´s Oliva disse...

Acredito que me perdi neste mar azul.
bjs

Jhenyffer Andrade disse...

Simplesmente lindo demais..
Adorei encontrar seu blog. te sigo.
Abraços.

O N Z E P A L A V R A S disse...

Que bom ler tudo isso que nasce de você, assim, azul.

Lilian A. Mello disse...

Oie!

Sigo seu blog pelo reader no meu celular e adoro.

Leio geralmente à noite, e chamo gentilmente esse horário de "retiro espiritual".

Obrigada!

Lilian
www.doce-borboleta.blogspot.com

A autora. disse...

Que Pipa delicada, intensa, que transborda em sentimentos e sensações e sabe transmití-las com tato e em minuciosos detalhes...

Adorei seu espaço! Parabéns, moça!

;)

Anônimo disse...

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