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11.12.2010

Minha saída do palco







Arte: © Agócs Írisz







"Não vás. E não fui. Ainda que todo o dia, toda a vida, tivesse

esperado aquele instante, único entre todos os instantes,

ainda que tivesse imaginado o mundo ao pormenor

depois da fronteira pequena

daquele instante,

não fui. "






José Luis Peixoto - In.: Nenhum Olhar







Ainda me lembro daquele entardecer ensangüentado em que as nuvens olharam para o sol com o intuito de sacrificá-lo.  As portas do céu se fecharam com a austeridade de um santo sepulcro.  Naquele dia a morte saiu do anonimato e encontrou um jeito de me deixar sozinha no mundo. Às vezes, tinha a impressão de escutar o tilintar daquelas chaves, como se o simples vapor de minha respiração as alertassem. Miragem. Saí de lá e segui pelas ruas, na certeza de que mergulharia num silêncio absurdo, e que envelheceria como essa cidade entre as sombras dos pedestres, até desaparecer para sempre entre os cabarés e bares,  tragada por algum espírito boêmio e fumegante que me arrastasse com ele para um umbral de perspectivas inimagináveis, se houvesse mais, segurando cada um de um lado. Atravessei o que tinha sido um deserto, no afã de resgatá-lo. Não encontrei nada além de esqueletos de sonhos incendiados, fartos de tanta autocomiseração e conflitos desnecessários. Hoje esvazio meu coração e deixo para sempre o amor  que tanto havia celebrado. Já ensaiei tantas despedidas em cima deste palco. Nada saiu como eu havia planejado. Quando acreditei que havia desistido, fui obrigada a voltar atrás e confessar que tinha recomeçado.





Pipa.

22 comentários:

JasonJr. disse...

Algué ja lhe disse que você tem uma cabeça fantástica?

JasonJr. disse...

Alguém já lhe disse que você tem uma cabeça fantástica?

Juliana. disse...

Para o amor não deve haver despedidas, mais sim sempre retornos!
Um beijo querida, aqui é lindo!
Ju

Alvaro Vianna disse...

A literatura aqui tem a sua marca registrada. Me agradou sobremaneira o final. Sinal de que a teremos aqui por muito e muito tempo.

Beijo

Leo disse...

Não, eu não fui ainda.
sou um recomeço.

Beijos, Pipa!

Carol Fonseca disse...

lindo pipa,como sempre!

NayanaFerreira disse...

Isso de viver recomeçando da onde a gente para sem saber o porque, isso que me faz viver.Voltar com os sonhos antigos, guardados na gaveta.

★★ GIZA ★★ disse...

ola
adorei seu blog e estou te seguindo
me faça uma visita:
www.flordelotus29.blogspot.com
me siga. vou adorar que sejamos amigas
beijos

Camilla Lourenço disse...

Eu estou impressionada. Muito bom!

Jussara Christina disse...

Olá! Estava navegando na blogosfera e me deparei com teu blog, adorei!
Amo fazer novas amizades, conhecer pessoas, idéias, outras perspectivas.
Já estou te seguindo...
Se puder visita meu blog, e conheça um pouquinho desse ser humano imperfeito...
Abraço!

*´¨)
¸.•´¸.•*´¨) ¸.•*¨)
(¸.•´ (¸.•` * ♥* Jussara Christina * ♥* ♥ * ♥ *

Serena-Cris disse...

Sabe que, lendo essa boniteza agora, veio meu grande poeta na cabeça. Renato dizia assim ó:

Não sou escravo de ninguém
Ninguém, senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E, por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz (...)

Minha terra é a terra que é minha
E sempre será
Minha terra tem a lua, tem estrelas
E sempre terá (...)

Não me entrego sem lutar
Tenho, ainda, coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então (...)

- Tudo passa, tudo passará...

E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.
Teremos coisas bonitas pra contar

E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos.


Te amo, hermana!

Te quero especialista na arte da vida!

.

Anônimo disse...

só faltou amor própio!

Márcio Vandré disse...

As despedidas que ensaiamos acabam no improviso de um café amargo em cima da mesa.
E surgem as palavras que não foram ditas.
E vêm as memórias que não queríamos deixar aparecer...
Um beijo, Pipa!

Jorge Manuel Brasil Mesquita disse...

A vida é um jogo entre partidas e despedidas caóticas e os encontros das saudações cordiais que o amor alimenta nos registo das memórias.
Jorge Manuel Brasil Mesquita
Lisboa, 13/11/2010

Winny Trindade disse...

Doce Pipa.

É exatamente isso que sinto e acredito agora.

Abraço meu.

Roberta Souza disse...

Olá!!

Estou passando aqui para dizer que estou sorteado uma linda caixinha de boneca de biscuit.

Participe!
http://robertaasouza.blogspot.com/

Beijoss!

Roberta Souza.

Sabiana M. disse...

Ah pipa... tem certos amores que não morrem e nos faz subir e descer do palco umas tantas vezes... até que os nossos pés calejados, tomem a decisão/rumo que não conseguimos.

Desistir é uma dádiva, às vezes.

Hubner Braz disse...

Perfect... I love this post... Sigo-te NOW...

BjXX

[Confissões Insanas]
hubnerbraz.blogspot.com

so sad disse...

recomeçar é bem melhor que partir!
beijo!

z i r i s disse...

Porque antes de esquecer é preciso gastar bem as lembranças...


Pelas nossas janelas embaçadas de tomar fôlego, percebemos alguns detalhes distorcidos, mudando de lugar, de cor e tamanho, a nos tapear dentro do que poderíamos até chamar de looping de memória. Um dia a gente encontra a chave para a porta...

Te abraço Prima!

z i r i s disse...

E ao sair esquecemos de bater a porta.

Agora é preciso gastar bem as lembranças antes de esquecer.

E este looping de memória é apenas o aviso que o coração dá para que a gente viva o último instante ainda não vivido!


Te abraço!

Poliana Fonteles disse...

Pipa querida, você se supera a cada dia... é uma linha sem fim, me encanta!

Ps.: Tem um selinho para você em meu blog...

Abraço meu bem.