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9.02.2010

O Massacre dos Pretendentes Parte IV








Arte: © Agócs Írisz








"Serial Lover" In.:



SOBRE ARCOS E FLECHAS








Transbordando solidão, transpirando beatice, já em estágio terminal de solteirice, ouvindo pela centésima vez e coreografando a dancinha do vídeo apoteótico das "Três Perecas Sapecas", foi o cenário em que o  Monstro de Mangaba-de-Vez apareceu. A Pipa queria um namorado. E o queria já. O vídeo das Três Perecas Sapecas"  era prova cabal de que ela realmente estava na crise dos 30 e não daria sinal algum de que sairia dela, ao menos, tão cedo. O Monstro de Chocolate havia dado linha. Disse a ela que se sentia como um maratonista que acabara de ouvir o tiro de largada. Só para constar -  este foi fora mais esportivo que já tive oportunidade de catalogar. Um soco mortal triplo. E bem no seu estômago. Decidiu avaliar o curriculum do Monstro de Mangaba-de-Vez, ao diagnosticar que o seu suco leitoso era um medicamento caseiro muito usado no tratamento de  úlceras. Para o caso de poder provar do fruto, checou os dados do perfil: Nome: Monstro-de-Mangaba-de-Vez. Candidato a vaga de: assustador de crianças -  mas pode ser facilmente surpreendido. Personalidade:  passional, perfeccionista, sonhador, compreensivo, inteligente, valor cívico nos ideais, porém tímido nos sentimentos, atitude refinada,  com capacidade especial para identificar-se com a parte utilitária das coisas, afeto delicado, sereno, aristocrático e com pudor, inclinações emotivas consistentes, de lealdade e responsabilidade, desejo de pureza, exclusividade e singularidade, costumes metódicos, ânimo cauteloso em apreciar as coisas, porém perseverante em esforçar-se por conseguí-las. Características marcantes: pêlo verde com manchas vermelhas. Signo: Virgem. Experiência Emocional:  um amor não correspondido.  Os ares primaveris de setembro pareceram finalmente lhe acariciarem a face com um sopro fresco de esperança. Sentia coragem para tentar ser feliz, embora fosse pela última vez. O Monstro de Mangaba-de-Vez se aproximou  cautelosamente com um espírito contemplativo, reservado,  um tanto cético, e de forma muito equilibrada lhe enviou seu amor por email, como forma de evitar responsabilidades sob qualquer pretexto. E assim procedeu: "Pipa - Ainda não faz um mês que estamos conversando. Tempo mais que suficiente, contudo, pra entender o muito de decência que há em você. Que somada à inteligência e à beleza faz de você mulher única. Tudo o que um homem de verdade pode querer. Não consigo não ser direto. Nem posso dizer o que quero com poesia, porque não tenho esse talento. Estou começando uma nova vida e quero muito uma companheira para esse projeto. Também para as pequenas grandes coisas do dia-a-dia. O toque, o passeio... não há nada de mais prazeroso que ver uma mulher desfilando distraída numa manhã de sol em qualquer caminho do mundo. E têm tantos filmes e livros e músicas para se partilhar. Sem falar da intimidade, isso que não tenho suficiente estofo de palavras para descrever. Palavras de menos, que se fazem ainda mais humildes diante destes lindos olhos marrons, tão acostumados a direcionar-se por entre os textos brilhantes de sua dona. Criadora de frases incomuns, você mantém as palavras a crescerem soltas e sadias nos campos da imaginação. Ao entardecer, que no mundo da poesia pode ser com qualquer ângulo do sol, você as disciplina em filas mágicas para formar as frases mais criativas que tenho visto. Não é amizade que quero de você, Pipa, por mais agradável que seja cada encontro. Quero a namorada, a mulher para dar rumo aos meus anos restantes. Entendo, porém, que  talvez eu não me enquadre dentro do que você considere o ideal para si. Sei que sou muito melhor que os homens que passaram pela sua vida. Mas vocês mulheres não são muito lógicas. Sim, isso é um singelo pedido de namoro. Pobre de pompa e circunstâcia, mas rico das melhores intenções que um homem pode ter diante de uma mulher.Só te peço encarecidamente que aceite a minha despedida antes do “não”. Essa é a palavra que não quero ler de você. Sei da sua capacidade de embelezar palavras carecas, desdentadas e barrigudas, mas não quero ler o “não”. Quero só o silêncio que resta ao morto. Não tente me ressuscitar com palavras de choque. Tenho as minhas próprias impressas em cada músculo que sente. Elas que me fazem levantar a cada vez e persistir na busca. O prazer destes poucos dias com você no ar enriqueceram minha bagagem e me dão autonomia para jornada longa. Não se preocupe; vou me lembrar sempre com muito carinho dessas várias horas. Agora Pipa - Se não for para me deixar entrar, me deixe ir, por favor. De seu eterno admirador,  Monstro de Mangaba-de-vez." Pela forma e modo escolhidos, é elementar que o fruto ainda estava de vez. Embora estivesse num degrau bem mais alto que os demais na escada da evolução humana, sua pressa o fez optar por um atalho celestial. Chego a pensar que em determinadas ocasiões o excesso de cautela em apreciar as coisas, só atrapalha. Mas quanto maior é a pressa, menos a calma raciocina. Todavia, o despreparo gerou a impossibilidade do consumo imediato.  Quanto a Pipa, muito embora  sua paixão por chocolate fosse o equivalente ao peso do seu entusiasmo. Precisava admitir que estava perdendo. Seus planos  minavam em bica. O que ganhavam na intriga, perdiam na consistência. Embora o corpo circulasse "livremente" pelas ruas, sua alma havia sido arrancanda dele e estava trancafiada na torre do Monstro de Chocolate. E ele não a devolveria tão cedo, a menos que ela lhe desse em troca todo o seu estoque de sonhos.  E um Sonhador que se preze jamais faria isso. Ao receber o amor por email  do Monstro de Mangaba-de-Vez, não pode vivê-lo. E um cristal de lágrima escorreu da face e  estilhaçou-se  pelo escuro vazio. Não compreendemos o sentido da palavra "amar". No amor, somos todos diamantes - porém,  projetados de cacos de vidro. A Pipa é criança. Deveria, mas não tem medo de Monstros. Mas dessa vez ela se dividiu entre a curiosidade e o assombro. E na dúvida, optou pelos dois. Mirou no alvo. E não economizou no lance.  Ele não fugiu da mira. A seta descreveu o percurso certeiro. Mas depois do arremesso, no instante final, a arqueira viu que não tinha nenhuma saída, a não ser a de correr desesperadamente em sua direção para receber a flecha com ele. Maldizemos nossas escolhas. O medo é uma ponte que cai quando que você atravessa. Um duelo de arcos e flechas voando sem asas ao sabor do vento. A flecha, o desatino, e, o arco, o contentamento.









P.S.: Ao Monstro de Mangaba-de-Vez, que merecia coisa melhor, ofereço.





Pipa. A Monstra da Flecha.



Um abraço certeiro!

25 comentários:

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Foi meu presente de primavera para vocês. Prometi não destruir o jardim de dentro de mim. Obrigada a todos vocês por estarem comigo neste florescer.


Ei, psiu:

"É proibido não ter esperanças.
Só porque é setembro."



A todos, o meu beijo floral.

z i r i s disse...

Vão-se os dias de medo de monstros... Definitivamente!

Doeu! Fundo! Porque dói mais em mim a dor de outrem?

Mas quem são eles afinal? Invadindo assim a nossa fábula? Os espinhos das rosas? Los bruta montes de barba e coração? O Homem de lata? O Fera da Bela?

Que seja! Estou cortada! Como quando chorei no final de King Kong!



Eis que novamente à deriva, agora na Via Láctea sorrindo sob o efeito do rum...

Glupt! Desculpem!

z i r i s disse...

Atenção:

Monstro da capela pedindo para comentar...

Não me responsabilizo por nada, nem conheço, nunca vi mais lindo... Tenho dito!

Bernardo disse...

Mas vá escrever assim na casa do C...

Desculpe meu lado Nelson Gonçalves ainda mais escrachado! Era pra escrever a primeira sensação, é essa aí. kkk

abraço monstra da flecha

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Obrigada pelo adjetivo, Monstro da Capela.


Nunca em toda a minha existência de bicho exótico de contrabando eu fui tão bem catalogada.


Como bem citado pela Zi, naquele post fenomenal:



"Perdoai.
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas."




Manoel de Barros




Um abraço certeiro!



Monstra da Flecha

Cristiane Melo disse...

sinto que tenho dois monstros iguais! mas eles não tem nome nem cheiro de fruta! eles tem nome e cheiro de gente! talvez fosse mais fácil de aceitar se eu tivesse um monstro doce que mantém trancafiado o meu coração e outro ainda verdinho que tenta me roubar de lá, talvez fosse mais belo! mas não é! :|

Mulher Vã disse...

Na minha opinião, o maior erro do Monstro de Mangaba-de-Vez fo superestimar a Pipa. E cá pra nós, ela se acha!

Vejo nesse texto, uma segurança na Pipa que não havia em muitos outros anteriores. E outra, não tem chororô, apesar da melancolia, sua marca registrada, estar presente, mas de modo suave elegante. Muito bom, tem se superado, mocinha.

Beijo


Ju Fuzetto disse...

"É quase setembro, as rosas começam a reinar. Plantei um pé de vento no peito, quando a noite sopra o vento sai. Tem uma felicidade embutida em meu corpo que voa."

Ah linda Pipa, tú ainda guardas o monstro de chocolate... sinal que ainda sentes o doce do amor...

Um beijo maior do mundo!!!

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Me prendam!

Eu assassinei a gramática!!!!

Escrevi flecha com X ninguém fala nada?


rs...


Já corrigi.

dansesurlamerde disse...

O Monstro de Mangaba-de-Vez não me passou confiança, tenho que dizer. Mas eu, sempre sucumbi facilmente às flechadas.

Tu é especial.

Beijo.

Alvaro Vianna disse...

Solidarizo-me com o monstro de mangaba-de-vez. Vamos, amigo, tomar um porre de guaraná. As flechas do amor são para os corações duros, de aço amorfo; não para os de lata. rsrs

Beijo.

Anônimo disse...

não da pra para de ler....
gostei

Mulher Vã disse...

Sobrou alguma fleXinha? Me arranja aí? hehehehehe

beijo

Nane Martins disse...

Recadinho no meu twitter do seu blog.
http://twitter.com/Nanempaiva

bjussssssss

Nane Martins disse...

Pipa, to te seguindo. Agora é o seguinte. quando vc recebe um recado e quiser responder é só dá um replay um espaçozinho e manda o recado. Facil.
Agora se vc quer que todos vejam o recado que vc recebeu vc dá um retwitter.Te vejo nao ar

WILSON disse...

Texto ambicioso.
Com alto poder de fascinação.



Confesso que você exerce um certo fascínio sobre as pessoas Lídia. Mas vejo que o monólogo continua versando sobre o mesmo assunto: a Ex-Trufa.E o epílogo não melhora as expectativas.Prefiro que você morra de qualquer excesso a morrer de qualquer contentação.


Parece que o chocolate não vai desenformar.


Tanta gente se aproxima, e nada.
Você se fecha e se enrola como um novelo de lã. Eu tou cada dia mais ranzinza e irritado com esse bisão.


Até que enfim apareceu um monstro decente, porque os demais, nem quero falar. Se ele for tão bom como pessoa quanto é pra falar foi um bilhete premiado de loteria.

Foi não.
Era né.
Porque mais uma vez você não deixou a catraca rodar.


by Monstra da Flecha


Seu amigo, Wilson, o terceiro homem.

Carol Fonseca disse...

hehe,adoro esse cantinho tão mágico... Sabe apesar de amar chocolate,eu experimentei mangaba,não gostei,mas foi interessante um sabor novo na vida,trouxe um outro olhar,mais ácido e adstringente,um tanto quanto exótico.
beijo, de sol.
Ps: adorei o que escreveu no meu cantinho,obrigada.

WILSON disse...

Ah, Serial Lover


E já que eu sou o rei do pitaco, vou aproveitar pra opinar:


O V massacre podia ser o dele. Se quiser posso te ajudar a matar.



Diga-me posso fazer isso por você?

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Sentiu o frio na nuca wilson?
É o cano do meu 38.


E esse buraco aberto que você tá vendo agora, é a cova que eu vou te enterrar.




E pro caso de você querer bancar o durão, fique sabendo que a minha especialidade é amansar!


PRONTOFALEI.

Bia Rodrigues disse...

Olá querida Pipa,fiquei fora por alum tempo...Senti falta dos maravilhosos textos teus.Que saudade desses monstrinhos que apesar de sempre quererem a Pipa,infelizmente chegaram depois do monstro de chocolate lhe roubar o coração.Beijos doce querida Monstra da flecha. :)

Rafaelle Melo. disse...

Cara Pipa,
Me arruma uma mudinha desse pé de sol para eu plantar por aqui. Tô precisando sim!

Mas é setembro...

É tempo de dar linha, e correr a maratona pra ser feliz. Hoje!

Vamos, Pipa! Vamos!


Te abraço com cuidado e carinho.

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Olá querida Vã!


Mas é claro que sobrou uma fleXinha, é essa que vou te atirar!


Tem toda razão, ele colocou a Pipa lá em cima. Coisa que o Monstro de Chocolate nunca fez.


E foi exatamente por isso que fiquei com tanta dó de matar!

rs...

Morri junto!


Beijo certeiro!

Leo disse...

Só pode ser mágica o que tu faz com as palavrinhas Pipa. Eu fico bobo bobo.

Eu sinto que o monstro de mangaba-de-vez deixou a Pipa lá nas alturas. Setembro é sempre assim não é, recheadinho de coisas boas!

Obrigado por não destruir o jardim de dentro de ti, é meu presente de aniversário melhor esse!

Te beijo e te adoro amore mio!

Elis Barbosa disse...

Ai, ai, ai... essas flechas que não sabem das horas, dos destinatários, são umas malucas essas flechas! O Monstro desse é tão querido que foi dar uma flor pra ele.

É muita gente bonita se encontrado, emociona.

Beijos,
Elis

Chris Paulino disse...

Flui deliciosamente cada palavrinha se encaixa trazendo a magia do que vai no coração. Monstro da Mangaba-de-Vez, amadureça, apareça...não desista. Monstra da flecha tenha um lindo dia.
Com carinho
Chris