"O senhor aceita uma bala de goma?" – perguntou ela ao que tem fome de olhar. Levou as mãos até o pote azul para juntar as sobras ao seu estoque de jujubas. Se quisesse alguma doçura, era tudo com o que podia contar. As palavras se esconderam dele, por medo do que ele tinha a dizer. Dele, ela era uma prisioneira de luxo. Após ter lido aquelas palavras ela se afastou dele algumas dezenas de metros. E se lembrou com fragilidade da noite em que ela foi acorrentada na torre. Foi a mais bela noite de sua vida. Era uma noite densa. Em que ele ensaiava uma canção amarela, mostrando a língua protuberante e os dentes ponte agudos. Tinha nas mãos uma espada e um escudo. Preso à cintura, ostentava um cinturão de cobre afivelado a uma guirlanda de corações dependurados. Seus olhos pareciam mãos estendidas abençoando as fiéis seguidoras. De fato, algumas palavras são piores que prisões. Mas a prisioneira se sente à vontade no espaço de sua torre. E para ela o compartimento ganha dimensões palacianas. É que ela tem ares de sonho. Ele a prendeu com violência, gastando suas centenas de soldados. Ele tinha de possuí-la. Só não sei para que, já que não demonstrou o uso que faria dela. Naquela noite, a chuva caía como lágrima. Ali estava ela. Sentada, com as mãos sobre o colo. E ele a fitava de seu observatório. A chave de aço se achava sobre a mesa de vidro, como antes, para garantir que ela não escapasse e sumisse completamente. Ela ofereceu a ele um sorriso, que se desfazia nos cantos da boca pelos seus gestos severos. Bastava ameaçá-lo com um gracejo, para ele erguer o chicote. Ele encantoou os olhos no lado esquerdo da face, e fumou uma serpente que fez de cachimbo. Como quem planejava a morte de um personagem. A verdade Senhores, é que ele cometeu um crime: O de sonhar pouco demais. E teve medo que lhe descobrissem a autoria. Teve medo que seu rosto fosse identificado.
Ela é: Lídia Martins
Pipa. A que faleceu esta manhã.
Ela é: Lídia Martins
Pipa. A que faleceu esta manhã.
10 comentários:
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como eu me vejo dentro de tudo o que escreve! é belo! é forte! é majestoso!
um beijo daqui =)
Perfeito.
Lídia, você uma borboleta que voa, um anjo de asas coloridas. Seu brilho é impossível de ser comparado. Sua escrita é única e perturbadora. E eu adoro.
Beijo da sua amiga
vizinha de torre.
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O seu texto é incrível! É mágico!
:)
Acho que os nossos blogs têm muita coisa em comum, a começar pelo visual!
Parabéns!
Um abração!
Pedro Antônio
Sabe, Pipa, tenho tentado encostar meu coração a um certo outro. E tenho percebido que nos fizeram com carne demais os separando...
Mas eu vou tentar ainda mais, talvez nosso abraço ainda não tenha tido força o suficiente apenas...
Te conto.
Como é triste ter medo de sonhar. Parabés! Você e corajosa! Que venham as críticas, só elas nos fazem crescer, só elas nos batem com força e nos deixam inquietas para sermos pessoas melhores. Que venham as torres! Há quem se sinta aprisionado com elas, já outros se sentem aprisionados com a liberdade, a escolha e de cada coração!
quem tem medo de sonhar, não sabe que os sorrisos são os pilares mais bonitos que existem.
um beijo.
De fato, algumas palavras são piores que prisões.
E aos poucos sentimo-nos a vontade nela, mais ao longo do tempo nem cremos que estamos presas.
Vc diz tudo que não sei, só sei sentir!
A nosso favor temos o sonhar e as chaves na mão!
Abraço doce...
Doído isso Li
Mas lindo pra caramba. Seus escritos não estão senão cada vez melhores
Bjão
Diego
Isso foi um tapa como diria meu avô com luva de pelica.
Fantástico esse texto,
Parabéns.
Tiagão
Cara
Vc me escreveu!!!!!!!!!!!!!!!!
tem lâmpada magica eh?
beijo
Bruno
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