Sim. É só chamar. Estou descalça. Mas vou até a sala abrir a porta de novo. Entra, pode entrar. Dê cá sua bandeira. Deixa eu ver a cor que ela tem. Não te assustes, se não for você vai ser outro. Senta aí na cadeira, coloca tua máscara sobre o criado-mudo. E me conta como foi seu dia. Me diz quantas cobras você enleou nessa sua lança. Não repare os meus discos jogados no chão. Eu não tenho culpa desses blues amargos que me caem sobre os ouvidos. Eles estão aí simplesmente. É que tem dias que eles são tão meus. Você não precisa franzir as sobrancelhas com esses gestos escassos. Nem filtrar a fala entre os dentes com explicações inúteis. Você pode ficar aí sonhando acordado, como se o tempo estivesse a seu favor sempre. Só bebe o vinho da existência com moderação. Eu não vou te julgar. Se você for bom pra mim. Vou pedir que fique. Vou pedir que me ajude a tirar a poeira desses livros antigos. 8.12.09
Tanto faz
Sim. É só chamar. Estou descalça. Mas vou até a sala abrir a porta de novo. Entra, pode entrar. Dê cá sua bandeira. Deixa eu ver a cor que ela tem. Não te assustes, se não for você vai ser outro. Senta aí na cadeira, coloca tua máscara sobre o criado-mudo. E me conta como foi seu dia. Me diz quantas cobras você enleou nessa sua lança. Não repare os meus discos jogados no chão. Eu não tenho culpa desses blues amargos que me caem sobre os ouvidos. Eles estão aí simplesmente. É que tem dias que eles são tão meus. Você não precisa franzir as sobrancelhas com esses gestos escassos. Nem filtrar a fala entre os dentes com explicações inúteis. Você pode ficar aí sonhando acordado, como se o tempo estivesse a seu favor sempre. Só bebe o vinho da existência com moderação. Eu não vou te julgar. Se você for bom pra mim. Vou pedir que fique. Vou pedir que me ajude a tirar a poeira desses livros antigos.
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7 comentários:
Cruz-Credo!
Espetacular!
Bjão Vitor
portas e janelas sempre abertas, que é pra sorte entrar...
ê, beleza!
um beijo, boniteza.
Que venha também para tirar a poeira do coração, e ocupar todos os espaços vagos na estante(vida).
Parabéns pelo texto, gostei muito!
Abç.
O seu também,
é lindo. Na verdade, suas palavras
unidas, encaixadas umas nas outras,
criam uma beleza realmente contagiante.
Parabéns!
*
Quanta doçura, quanta ternura.
Lindo!
Vou ficar por aqui, Pipa. Estarei no ar para nos encontrarmos*
Eu tenho um palpite pra esse poema.
Limpar seus livros é dirigir a clareza de uma sensação introvertida que você regitra nesses seus objetos internos. Eu consigo ver o valor que você tem. Seria mais fácil fazer isso, se você me deixasse chegar perto.
Saudades
Diego
Até acredito nos duzentos anos. Só pode.
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