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11.24.2009

Um minuto de silêncio

Ela estava sentada ao pé de uma árvore que chora. De trás, um vento glacial a arrastava. Ao fundo as torres esguias de arame farpado abraçavam a paisagem, antes, vista da janela. No canto, uma construção em ruinas parcialmente desmoronada a beira de um riacho congelado. Que foi onde ela tentou enterrá-lo. Nas águas frias do tanto faz. A garganta seca e arfa de dor. Por um grito afabafado. Ela balançava as horas a sombra daquelas folhas secas. E frio arrebentava tudo a volta, agasalhando de branco o poncho da terra, que ardia de olhos abertos. O ar queimava a língua em sibilados flocos de neve. E uma grade esquecida rangia entre os cedros. Eu não tenho coragem de falar o que ela estava sentindo. Dói-me muito. Ela teve que adiar o vôo, começando pelo fim. E o céu fatigado, perfurava as nuvens brancas manchando-as de cinza. E como um galho omisso. Deitou o corpo para o chão. Misturava-se aos ventos. Ela se esfarelava em poeira dourada. Igualzinha aquela que ele tinha nas mãos.
Pipa. A que virou pó.

2 comentários:

renata disse...

que tudo seja leve, minha querida!

um beijo.

Anônimo disse...

'Que foi onde ela tentou enterrá-lo. Nas águas frias do tanto faz.'


Parei! Eu paro sempre pra vc passar.


Beijos mil do Tiagão.