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10.12.2011

UNI-VERSO








"Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus,

que eu me sentia perdoado para sempre.

Não sei de quê."



E dentro, bem Quintana...



Decidi passar a noite em claro na esperança de esquecer tudo o que eu havia lembrado e, vendo que ainda dispunha de mais horas do que o relógio podia contar, fui até o orelhão mais próximo e dei à telefonista o número que Torah (o grilo rabino que mora comigo mas que passa a maior parte do tempo sumido) havia deixado para o caso de alguma emergência.

- Gostaria de falar com Torah, por favor.

- "Alô?"

- Meu nome é Pipa, sou amiga de Torah, e, bem, ele deixou este número caso eu... caso eu não desse conta do recado. Pode chamá-lo?

- "Acaso não desse conta de quem?"

- Daquele de quem nunca falo! - exclamei.

- "Pipa de onde?

- Dos Ventos – suspirei decidida.

- Pode esperar um momento?

- Ah sim, claro! Obrigada – conclui indecisa.

- Uma eternidade mais tarde a voz de Torah apareceu para tranqüilizar-me.

- "Torah na linha! - indicou.

- Torah, é Pipa.

-"Ihhhh, sua voz está com aquele timbre inconfundível de péssimas  notícias... "  - advinhou.

- Torah, estou te ligando para dizer que vou me enforcar e vou fazer isto com o cobertor xadrez que você deixou no armário, que, apenas para efeito de registro está cheirando à naftalina. Devia cuidar melhor de suas coisas pessoais, seu quarto está uma porcaria. Sabe como é... eu não poderia partir sem deixar ao menos uma reclamação a inventariar.

- "Pipa! Que saudades de saber de ti menina! Pipa, eu andei circulando pelo espaço e estava tentando ajudar meia dúzia de astros que restringiram perigosamente a sua coragem de ser. Mas chego aí amanhã à tarde, isso, se eu não tiver nenhum problema com a nave. Ando esgotado Pipa, e, quando paro, já estou tão detonado que se quer consigo acessar seu blog, twitter ou facebook. A propósito, soube que hackearam seu Orkut."

- Torah, estou dizendo que vou me matar e você vem me falar de furtos psíquicos de senhas em redes sociais?

- "Pipa, prossiga."

- Torah, fui seguir sua infausta ideologia de: “Dar o pulo.” - no encalço do cara de cavalo e espada e tal como eu temia, saltei uma poça d’água, tropecei com “aquele de quem nunca falamos” e advinha?

- "Deixa ver Pipa, já sei, insatisfação garantida?"

- Para comemorar meu retorno ao mundo dos vivos, escolhi um festival de Rock Heraldico que aconteceu em uma espécie de campo-santo, supondo por extrapolação, que nem o Diabo caso tivesse me procurado fosse me encontrar no meio daquela multidão. Os pretendentes à vaga de príncipe cheiravam a alvejante e tinham cara de vendedores a domicílio, quando muito, forçavam sorrisos e se quer conter a inflação do ego conseguiam. Os candidatos brandiam nas mãos escudos em forma de copos plásticos que, talvez por alguma estratégia de segurança, estavam embotados de álcool, de modo que, embora eu tenha tentado, não foi possível nem mesmo estabelecer um diálogo, porque o acústico à semelhança dos gritos que pareciam vir de todos os lados estava muito alto. Quando perguntados sobre as espadas, um deles impingiu as duas mãos na braguilha das calças. Isso, sem contar o fato de que lá fora, logo na chegada, alguém havia trocado todos os cavalos por motocicletas cilindradas e geringonças motorizadas e um dos aspirantes ao trono quis me convencer a todo custo de que, o que ele chamou de “meu carro” - que para completar exalava uma espécie de toxina fumarenta capaz de embaçar desde os olhos até a consciência, jurando de pés juntos que atrás daquele amontoado de aço bufavam exatos: 176 cavalos!

- "Pip, Pip, Pipa!" interrompeu Torah.

- Escuta Torah! Eu preciso desabafar!

- Então eu tive que eleger a dúvida como minha companheira, exigindo que ele apresentasse a identidade do veículo e constatei com horror que o CRLV não estava mentindo. O registro civil trazia o seguinte enunciado: "Meu nome é Tucson, pertenço à casta família da Hyundai (Potência 2.4) – com visual totalmente renovado e como pode ver nasci no ano de 2011, sou branco/perolado, possuo teto panorâmico, GPS touchscreen e bluetooth integrado." Por sorte, tive que cuidar de três amigas que me elegeram de guarda-costas de modo a garantir que voltassem para as suas casas tontas como uma cabaça, mas com a honra e a virtude intactas e pasme: uma delas era casada. Na tentativa de devolvê-las sã e salvas, a Pipa zelou por suas companhias a noite inteira e, muito embora exibissem aqueles sorrisos de Divas de sessão da tarde, estavam todas despeitadas, tendo em vista que não tardaram encharcar a cara de vodka porque viram seus ex-namorados com outras meninas mais jovens e mais bonitas, e, antes que suas cabeças entrassem em órbita, fui obrigada a atender o chamado, pois não agüentaram nem o primeiro ato.

- " Pelo amor de Deus, resuma Pipa! Diga para Torah, há quanto tempo não o via?"

- Ah Torah, não dá para precisar, acho que desde o dia da briga.

- "Calma Pipa. Não se apresse. Na verdade, ainda não sabemos a exata extensão desse reencontro. Para termos certeza de que está efetivamente passando, o intervalo entre uma dor e outra tem de esparsar significativamente."

- Torah, amaldiçoei a hora em que tive a idéia de abrir aquela porta, sair da minha casa e enfrentar o paradigma da experiência corpórea. Se quisesse ver esnobes e grã-finos era só ligar a Tv e com apenas um click eu teria o festival dos touros panatinaicos e o ritual minóico estaria em minha sala! E, certamente eu apertaria o “mute” e continuaria lendo, enquanto todos eles estariam lá,  vivendo! E falo isso sem nenhuma mágoa.

- "Pipa – calma!"

- Eu estou calma Torah! Devo estar...Eu só queria ter bebido o suficiente até que as pernas se enchessem de coragem para chutar aquelas nádegas quando ele passou por mim sem nem ao menos me cumprimentar! Não me peça para entender como uma pessoa que dividiu intimidades com você, pode bancar o juiz de estado, desses que nem lê os autos, já que até um simples aceno foi capaz de embargar. Eu estou com frio e diz logo o que acha, porque esta cabine telefônica não é coberta, além disso o crédito pode acabar e o céu está fazendo aquela cara de quem vai despencar!

- "Pipa, está fazendo aquela Oração de São Jorge que mandei plastificar?"

- Aquela é para os inimigos, Torah!

-"Verdade Pipa, para o caso seria recomendável a Oração das 13 almas. Se bem que, do jeito que a coisa está preta, se brincar não reste uma viv’alma para libertar-te deste encosto-amor que está a desampará-la.

- Torah, acaso faz alguma ideia de como estou me sentindo?

- "Um pinico?"  - sugeriu.

- Poxa, Torah, então está bem pior do que eu supunha, eu ia dizer um lixo! - intervi.

- "Pipa, do que foi vestida?"

- Com a fantasia de galinha d’angola.

-"E como esperava ser tratada vestida dessa forma?"

- Digna. Que fosse uma galinha, mas digna.

- "Quanta ingenuidade reunida, Pipa!"

- Torah, se esse é o castigo do altíssimo para que eu me arrependa dessa vida de solidão, anote isso em seu livro do juízo: peço que desencapete-o! Porque sou tão insistente quando a fome e vou dissuadi-lo!

-"Pipa, que cara ele tinha?"

- Aquela Torah, de porco-espinho! Olhar de espetar!

- "Pipa, desmerecer o outro não é sinal de boa educação."

- É mesmo Torah? E ser tratada como uma estranha, o que seria então? Isso deveria ser crime! E passível de prisão!

- "Pipa, minha menina, ouça o grilo Torah, conta-se assim: no início, o fato que desencadeou tudo isso, por mais curto que tenha sido, toma muitíssimo tempo da nossa projeção imaginária. É quando precisamos de dias a fio para digerir aquele telefonema que nem chegou a se completar, o número do outro no visor do telefone, o indício de respiração antes da interrupção da chamada. Vai chegar esse momento, mas você precisa ter calma."

- Calma, calma, calma! Torah isso é tudo o que você sabe falar?

- "Pipa, você terá convalescido totalmente dele quando vê-lo for uma alegria simples e instantânea, como catalogar mentalmente um arco-íris."

- O que acha que pode ter havido Torah?

- "Pipa, a palavra desejo foi o que te eclipsou o sol em plena manhã do sentimento. Eu, aliás, chego amanhã e quero lhe propor um passeio! Será assim: amanhã, Dia das Crianças, você e eu vamos a uma boa livraria folhear um livro de André Comte, enquanto tomamos um cappuccino (não pode ser só café, tem que ser cappuccino) com um salgado dos de massa folhada ou uma torta de pão-de-ló."

- Não gosto de torta pão-de-ló e nem de massa folhada! E se quer saber, não ando gostando de nada! Aquilo me lembra chumbo moído e há que se ter o maior cuidado para não ser comparado a um burro no pasto, tentando usar as ferraduras para limpar o farelo, isso, se ele tiver a sorte de não morrer entalado!

- "Então Pipa, escolha o que lhe parecer mais irresistível. Vamos pegar o livro com um muxoxo daqueles malcriados, nos maldizendo mentalmente por fazê-lo andar entre os freqüentadores da livraria com um título que soa tanto a auto-ajuda: "Bom dia, Angústia".

- Torah, este título não parece atrativo e se tinha a missão de me animar, devo informar que está começando a fracassar. Já rasguei o Manual de Grandes Esperanças, fiz isto depois da carta publicada. Hoje mesmo estava lendo sobre a Incidência dos Fungos Comestíveis na Camada de Ozônio. E quase chamei a polícia florestal imaginando que havia descoberto o paradeiro exato dos assassinos do meio ambiente. Torah, acredite, eram eles!!!

- "Pipa, primeiro concentre-se no que Torah está dizendo. Esqueça os fungos assassinos por um momento e depois decida se acata ou descarta a ideia do livro. Continuando.  Vamos ler a orelha e a apresentação do autor e vamos dar um crédito de confiança a ele, ao constatar que ele tem uma formação sólida e porque, afinal, sou eu quem está indicando, oras! "

- Torah, se ele for mais um desses racionais em grau máximo, esqueça! Se vou morrer, prefiro que seja enforcada e não de traumatismo craniano por ter que dar um duro danado para fazer com que aquelas marretadas filosofais entrem na minha cabeça. Eles são todos mecânicos. E você sabe,  a moral da história vive às expensas da essência, é sempre a mesma!

- Torah, você sabe também quanto os poetas falam e fazem coisas sem sentido! Certa vez escrevi um texto amaldiçoando "aquele de que não falamos" inteirinho e o que havia por trás de tudo aquilo? Eu não queria fazer livros! Queria fazer filhos!

- "Posso continuar, Pipa?”

- Vamos Torah, minha vez de dizer: "prossiga."

- "Bem Pipa, aí vamos vai abrir o livro no texto chamado "O Luto."

- Quer me mandar para o cemitério de novo? Não agüento mais ter que matar e depois ressuscitar o povo! Uma vez escrevi uma carta para uma prima de roça e fiquei o resto da vida esperando a resposta. Todo mundo achou que eu tinha matado a menina, quando na verdade eu só estava tentando dizer, talvez, que por ela, eu morreria. Uma interpretação equivocada e lá se foi! De uma só vez perdi duas companheiras de fadiga. Agora vivo desenhando totens para relembrar meus amigos. Falta a Águia, a Girafa e o Lobo da floresta. Não quero acordar amanhã e pensar neles como se nunca tivessem existido!

- "Calma Pipa! Eu não acabei ainda. Prosseguindo. O texto "O Luto" é uma das coisas mais lapidares já escritas sobre o tema até hoje. No meio da leitura, parecerá que reconhecerás o vocativo de teu nome intercalando as frases. Porque, sim, foi escrito para ti. Como foi, um dia, escrito dentro de mim, letra a letra, como uma palavra lentíssima, demorando a construir-se nos olhos: s-o-r-r-i-s-o. E, assim, descobrirás tudo o que eu te diria, fazendo-te tranças aos cabelos, se soubesse escrever daquele jeito."

- Torah, foi isso o que aprendeu em seu cursinho extensivo de Mentes Bolorentas e Pedantes no Instituto Brasileiro dos Racionalistas? E vou ler isso para enganar a quem? O destino ou a vida?

- "Ah Pipa, possivelmente os dois. Durante anos tem feito da emoção o seu livro favorito. Não te cansa isso?"

- Onde exatamente está tentando chegar Torah? Acaso está sugerindo que abdicar de certas coisas é um ato de heroísmo?

- "Pipa, apure os ouvidos: no fundo, todos nós abandonamos alguma coisa pelo caminho. Ou porque já não nos servem mais, ou porque de certa forma representam peso e a decisão é só nossa em conviver ou não com isso. Certos esquecimentos são apenas exercícios que devemos praticar com o espírito. E são inúmeras as lições que podemos tirar disso."

- Torah, você sempre dizia que, com o tempo, o meu coração iria bater mais devagar. Porque mentiu Torah? Quando penso em todas essas pessoas ele não pára de me espancar!

Torah – o cartão vai acabar e eu tenho que desligar.

-“Pipa, seu coração faz isso para mostrar que dentro de ti eles ainda estão vivos!” Se cuida criatu...tu...tu...tu...

(...)

Eu tenho gratidão à minha infância. À escassez que me levou a buscar recursos para subverter as cores e reinventar um mundo com menos tonalidades de cinza. Porque não foi parda, mulata, amarela e nem branca. Nesta vida, eu vim cinza. Desertei-me. Desertaram-se.  Alvim desgarrou-se primeiro. Ele veio de um reinado distante chamado: Quase Definitivo. Lembra-se disso? “A Pipa é criança. Deveria, mas não tem medo de Monstros. Só que desta vez ela se dividiu entre a curiosidade e o assombro. E na dúvida, optou pelos dois. Mirou no alvo. E não economizou no lance. Ele não fugiu da mira. A seta descreveu o percurso certeiro. Mas depois do arremesso, no instante final, a arqueira viu que não tinha nenhuma saída, a não ser a de correr desesperadamente em sua direção para receber a flecha com ele.  O amor é um duelo de arcos e flechas voando sem asas ao sabor do vento. A flecha, o desatino, e o arco, o contentamento.” Este dia ficará para sempre na memória daquela primavera. Alvim, não tente passar a conversa nela. É mulher, o coração partido desconfia. Tente lírio, em silêncio oferecido. Serena, se hoje existo, foi por sua iniciativa. Agora a magia estava perdida. Reviro a gaveta da memória, pode ser que alguma ainda sobreviva. Serena: lembra de mim? Eu sou aquela que guardou algumas pétalas que escaparam do seu vestido. Guardei-as num pote e de vez em quando abro a tampa. É quando surgem do nada, todas as borboletas. Zíris, a implacável colecionadora de feras, fabricávamos armas caseiras para capturar nossos Monstros, as saudosas cascas de bananas nanicas que trazias da feira todas as quintas. Em tempos de caça, partíamos à taxidermia dos Monstros com garruchas municiadas, dávamos um tiro em suas caras, os colocávamos em nossas capangas, os abríamos com nossas facas e, por fim, os recheávamos de palha para enfeitar as paredes diamantadas de nossas almas solitárias. Lembras? Zíris: perdoe este súbito sentir minha guia. Em uma violenta batida, o coração se precipita. Segui-a até confundi-la com a minha própria vida. Be(n)tinha, seus olhos batidos pelo vento ficam sempre secos. Só o coração transborda de tanta espera. Amor é ilha deserta (?!) Be(n)tinha: não estaremos sós. Não somos ilhas. Somos continentes. Suavidade e Segurança a deriva neste oceano de tinta.


Hoje, ao encerrar meu monólogo com Torah - o grilo rabino que mora comigo, queixava-me de ter visto o Monstro de Chocolate e, depois de tanto tempo, não pude conter o meu desespero ante o desejo de um abraço que não julgamos possível por medo  descobrir o orgulho ao tatearmo-nos. Escrevo para recordá-los. É para este Deus de papel, diante do qual me ajoelho e conto segredos, que, talvez,  não atrevesse dizer nem a mim mesma. Conversando com Torah, a única coisa que fui capaz de assimilar é que, bem, a ordem pode até ser diversa, mas o quebra-cabeça do ser é construído invariavelmente com as mesmas peças. E tenho uma suspeita que não deixa de assombrar meus pensamentos. Ser é um deserto. Que muitos tentam. Poucos são os que atravessam. Vi muitas pessoas pararem no começo. Outras no meio. E o mais triste, vi também aquelas que nem se atreveram. Implodiram-se em silêncios e hoje experimentam na carne o destino de ser em pequenas partes. E ser por frações representava entre outras coisas, não poder ultrapassar o círculo inscrito no pavimento. Desperdiçaram-se miseravelmente. A vitória pertencia aos que conseguiam ser por inteiro. Nós estamos sendo: pelo avesso. Eis a senha para abrir o portal do nosso extremo. E não morrer à margem é ser parte. Nunca em partes. Outro dia uma amiga falava da vida: "Tudo são acervos de etapas que vamos vencendo ao longo dos tempos." Enfrentamos períodos de isolamento. Mas nunca permiti que tomassem distância de mim o bastante a ponto de não me reconhecerem por dentro. Foi assim que nos conhecemos. Sem desmerecer o carinho e a dedicação de todos os outros entes luminares que fazem sol intenso aqui  e, que se eu fosse discorrer certo é que cada um deles daria um livro inteiro. Gostaria que os todos soubessem que essas pessoas idealizaram comigo tudo o que eu sempre sonhei para mim mesma. Estar com elas foi o que ressignificou minha existência. Na ausência delas, compreendi que ser sem testemunhas não vale à pena. Sem vocês, a Pipa não é a mesma. Já levei tombos desses de deixar até o espírito esfolado. Meus grandes amigos - se assim me permitem chamá-los: abençoadas sejam as mãos dos que tem me levantado. Graças a vocês, meus pés já conseguem reunir forças para um novo passo.


Uma conversa sobre autoridade moral em que abraço as trindades que reergueram o meu horizonte:


DIVINO:         Be(n)tinha     – Palavra em Fuga
ESPIRITO:    Ziris               – Um Toque de Vida
SANTO:        Serena           – Sensibilidade de Flor


Em nome da eterna criança que nos habita.


Ao UNI-VERSO, (Pai e Filho)  que representa-nos enquanto essência, na qualidade de espíritos transitivos, conscientes e evoluídos, orbitando em torno dessa galáxia a parir do caos a Estrela do Equilíbrio, à espera de dias mais claros, bonitos, tranquilos em que todos estaremos reunidos em torno de um só sorriso. E para isso eu tenho um nome:

ES-PE-RAN-ÇA. Assim te batizo.

A todos, um feliz Dia das Crianças!



P.S.: Então meninada...acho que a gente devia morar num planeta onde as pessoas fossem parecidas com a gente sabe, assim: meio aliens.


Torah & Pipa.



12 comentários:

Alvaro Vianna disse...

Você sabe que adoro esse seu humor particularíssimo.
No entanto, choro. Porque me lembrei que te amo. E amor é isso: rir e chorar num mesmíssimo e indistinguível instante.
Obrigado, minha querida.

Velho Santiago disse...

Preciso ler de novo. O pó não deu.

nilson oliveira disse...

Hilário! Simplesmente hilário! Valeu a vigília. Depender da ajuda do "rabino" para encarar a morte já é suficiente para morrer de raiva...rs Gostei muito. Mas fica perfeita mesmo quando resume os sentimentos em poucas palavras. São as palavras do silêncio. Por isso tão poucas, mas suficientes...

Monalisa Macêdo. disse...

Que texto deliciosooo!
Adorei. Principalmente o finalzinho, rs
Beijo!

JasonJr. disse...

:D :D :D esse planeta ia ser maravilhosooo! rs bem avatar! :D :P

Roberta Mendes disse...

És das que têm a alma clown e sabes rir de dentro das dores extremas, não como as hienas, mas como os puros, que se distraem do espinho pelo encanto da flor. O texto inteiro é um tributo ao que encanta dentro do que dói, ou apesar do que dói. Um anjo montando guarda diante de um rol de nomes. As asas, de tão grandes, são às vezes estabanadas. É difícil conter a potência. Destaca as penas, uma a uma, para com elas escrever amores. Tem medo de dormir e confundir o vivido e o sonhado. Mas quando vacila de cansaço, ficam os nomes luzindo no escuro, a montar-lhe guarda e render-lhe vigília. Tome este travesseiro: é forrado das minhas penas. E porque são macias? - perguntas. Porque não são das que espetam? Não sei, minha menina, não sei. Doem agudamente quando nascem as penas, extrapolando os poros. Depois viram leveza. E me ajudam a voar também.

Nei Duclós disse...

Divã, poesia, dramaturgia, memória,projeção, invenção, imaginação, realidade, filosofia: tudo incluído neste post assombroso em que o talento extrapola e nos subjuga. Catedral de palavras e sonhos, é aqui que admiramos o sagrado direito ao amor.

Gislãne Gonçalves disse...

Belíssimo texto!

Adorei o humor contido no teu escrito!

Beijos

Be Lins disse...

Sabe porque você escutou meu grito?
Porque eu grito o tempo todo, Pipa,
mas é um grito mudo, ninguém houve, exceto, para minha sorte nesse momento, você que o alcançou porque você alcança as coisas melhor que ninguém.

Quando digo que não me importo, eu minto . Porque além de gritar, eu minto. Quer dizer, nem minto mais. Fico no incompreensível som dos grunhidos dos meus gritos. Já nem sei.

Mas aí,
você apareceu e me deu uma esperança, sabe?
Esperança de talvez encontrar uma xícara de chá bem quente (porque café eu não aguento mais) e me sentir algo parecido com ... especial? Você sempre faz as pessoas se sentirem especial. lembre-se!

é que sabe, né?... você pode ter muitos ouvidos na vida que simplemente não te ouvem, quando um aparece um a parece te ouvir, então... faz-se alguma esperança no mundo.

Feliz Dia das Crianças, minha querida amiga Pipa, e também para Serena e Ziris, tão preciosas, e se um dia houver espaço para mim nessa confraria de moças-estrelas, chama-me, tenho a acrescentar na estima.

Beijo

Erica Gaião disse...

Pipa!

Você é como o vento que se espalha pelo mundo e traduz a sua ordem desordenada quando fala(escreve). Poucos conseguem atravessar o vento, Pipa! Poucos conseguem ser por inteiro... Poucos conseguem reunir forças para um novo passo. Eu gosto de engolir o vento e explodir por coragem, pelo visto você também...

Minha expressão agora? Olhos vidrados numa tentativa de reorganizar o pensamento. Palavra que traduz? Encantamento.

Linda forma de agradecer àqueles que estão presentes.

Beijos,

Mulher Vã disse...

Hahahaha!

Devia estar uma graça vestida com a fantasia de galinha d’angola!

Eu sô mo fã desse grilo porque ele tem de aturar a Pipa! Hehehehehe

Excelente texto, especialmente porque não teve tanto chororô.

Beijo, mulher, te cuida e apareça!

Vã.

Que-seja-suave disse...

Que blog interessante, adorei!