1.2.10

Sem enfeitar: a noite do meu bem




Eu nunca sei o que dizer. Aliás, sei. Depois que a ocasião passa. Respondi um questionário de um instituto de pesquisas essa manhã. A última pergunta que a moça fez foi sobre opção sexual. Vejo que estamos descendo mais rápido a escada da evolução. Considerando o seu olhar atravessado, falei: Porque deseja saber? Ela me entregou um cartão, dizendo que entraria em contato. No verso seu nome: Amparo - outro nome bonito de puta mexicana. No mais, foi puro constrangimento. Ao sair de lá, entrei em um ônibus verde conversível. Atirei uma moeda de 5 centavos num tanque de carpas para ter um pedido atendido. Ao descer, avistei uma banca de jornal. E lá encontrei uma preciosidade política. Eu nunca tinha lido John Kenneth Galbraith. Depois que o conheci, confesso que a história contada por ele acerca do Capitalismo em "Anatomia do Poder" está me fazendo ver os esqueminhas de extorsão de valores até nas paredes do banheiro. Depois de muitos dias (3?) voltei ao Bosque. A velhinha corredora que me dá sorte não apareceu hoje. Encontrei uma prova semântica inegável sobre a palavra: num livro de receitas! (o estranho é que incluem geleia na lista). Ah eu quero uma ampliação do Sion da Cesárea Tinajero para colocar na parede do meu quarto. Não quero mais sair daqui. Estou cansada de negociar convicções. Esta cidade está me fazendo mal: sol; batatas fritas; Bolaño; queda de pressão; perda de sensibilidade da mão esquerda. Mas o horóscopo de hoje disse que todos meus desejos serão realizados. E eu, vou cair como um patinho.



Pipa In.: Garimpos Cotidianos. In.: Diários de um garoto problema.


Lídia Martins

17 comentários:

Cris Carvalho disse...

Que delícia cada vez que vejo texto novo! Eu os devoro e os mastigo o tempo todo! É a verdade crua e dura! Adoro tudo o que escreve, já cansei de te dizer ... os teus textos me salvam ...

escreva, pipa, escreva...

um beijo estalado*

.

Anônimo disse...

Lih,

Vai um machado pra quebrar o gelo aí?

Não entendi nada. Vc está cada dia mais enigmática.

Beijo

Diego.

Jessika disse...

Aproveita o tarot também, as cartas dizem tanto e tão pouco... igual a gente quando tenta explicar que tá amando alguém. E eu vou tentar fazer isso hoje.
Beijão!

Anônimo disse...

Vejam o que a solidez dos sentimentos fazem com os nossos textos de cada dia....sinfff....Política nãooooo...rsrs! Quero ver a cor da felicidade nesses textos hen! Ninguém mandou dar moral para os pobres leitores carentes de palavras recheadas!

Anônimo disse...

Não vai rir.

Mas esse texto está parcendo eu numa questão de vestibular há tempos atrás que falava pra interpretar o sentido de uma frase de Rui Barbosa:

"Pouco se me dá que claudidique a onagra, o que me apraz, é acicutá-la."



Moral da história: Entendi patavina.

Muito depois eu descobri que era:

"MESMO QUE A MULA MANQUE, O QUE ME DÁ PRAZER É METER A ESPORA NELA".


Vc está tentando dar uma espora política éh?

Foi muito bem!
Adoroo, como sempre!
Vou ler esse cara tb!

Um cheiro
Vitaum

Ana Flávia disse...

"Entre razões e emoções a saida: É FAZER VALER A PENA"

e digo como a Serena: 'já cansei de te dizer ... os teus textos me salvam ...

escreva, pipa, escreva...'

beijos grandes flor ;*

leonel disse...

Não gosto de literatura política, mas já li Galbraith e sei do que ele é capaz de fazer. Mas, não que não haja exílio algum por aí! Existem muitas coisas a serem experimentadas, que transcendem os esquemas pintados nas paredes do teu quarto.

Faça também a tua política de sobrevivência no mundo dos homens.

Abraço!

renata carneiro disse...

"mentiras sinceras me interessam..."

cazuza sabia das coisas.

o que a gente quer (e precisa) é um pouquinho mais de fé.

acredita, bonita. acreditar faz bem!
beijos.

Anônimo disse...

Princesa, essa foi dez...
Se não estou ficando enganado tua linguagem está encaminhando-se para uma visão mais social, fico feliz.
Bjao do Filopatia

A Torre Mágica | Pedro Antônio de Oliveira disse...

Mas que ótima ideia!

:)


Pedro Antônio

Cris R. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ziris disse...

Oie, Pipa!

Tô achando que a gente tá com as pernas moles, ou a velhinha anda passando rápido mesmo. Ou é a gente teimando em deixar o véu sobre o rosto, esperando a missa do sétimo dia. Mas pelo jeito vem ninguém rezar não... E se vc Pipa estiver desejando passear em outros bosques? Outros voos, as vezes sinto assim...


Acho vou correr por aí, vestida de noiva, pendurar umas coloridices nesse vestido pálido, mas confesso, criei um certo medo de bosque... Vem tbm, Pipa vem?

*Ziris*

Ziris disse...

No mais, belíssimo texto. Ao final uma réstia de esperança, de uma Pipa brincando colorida no ar...

Te abraço sempre

ErikaH Azzevedo disse...

Literatura politica pouco entendo apesar de viver nesse mundo das letras
Prefiro me encher de poesia, se a realidade me for nua e crua eu me visto de palavras...foi sem assim, acho q não saberia ser de outro jeito..rs
Eu quero um cotidiano feito de poesias Lídia, amanhecer semprenum mundo de sensibilidades. Sei que contigo tb é assim...sinto!


Bjos à menina que voa!

Erikah

Anônimo disse...

Seus textos sãom ótimos Pipa... Cada vez melhores! Beijos =*

Anônimo disse...

Maravilha Lídia! Me encanta como você coloca vida nas palavras e como elas penetram na alma da gente. Amei.... Beijo grande linda...
Agnaldo.

Anônimo disse...

"Vejo que estamos descendo mais rápido a escada da evolução".
Aqui merece uma crônica, um "pequeno" comentário de uma página inteira de um jornal. Buscou fundo ein, minha querida. Quanta riqueza e preciosidade. Beijos... Agnaldo.