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11.10.2009

Aos que esperam

Ainda estou prisioneira da minha janela. Arranho seu rosto no retrato. Acudo o pensamento. Mas ele está cheio de fumaça. Tento varrer as chispas. Mas é o preço pela mancha. Acampei a alma a beira de um riacho em construção. Onde as águas correm livremente. Preciso entender de liberdade. Porque nunca soube o que fazer com a minha. Observo. Tento não engessar o verso. Mas não tem jeito. Ele está quebrado. Junto os pedaços. E os coloco ao sol até se derreterem outra vez. A chuva cede suavemente pousando sobre os galhos das árvores, embebedando as folhas secas com gotas de orvalho. No céu algumas nuvens de resistência. Uma caravana de borboletas corre atrás de mim. Eu as evito. E dou fé a minha cadeira. Ergo os olhos para o teto. Furto a lembrança de um sonho que não se realizou. E logo esqueço. Da última vez que pensei nisso eu ainda tinha esperança. Abaixo a luz e desço a porta. Tenho a sensação de que o mundo não me cai bem. Eu não quero destruir o jardim de dentro de mim. Retiro as rosas cálidas. Preciso aguardar o florescer.
Pipa

2 comentários:

Anônimo disse...

Menina Leve
Menina Linda
Menina Pipa.

Parabéns pela mensagem.

Beijão Tiago

renata disse...

deixe passar o inverno. porque é preciso fazer-se flor!

uma beijoca!