Ela teve mesmo que escolher gente. Ou ele ou o verso. Ao menos o verso fazia a ela promessas que conseguia cumprir. Mas ele fez uma proposta. Ele não sabe. Mas ela aprisionou a barata do primeiro reencontro numa caixa azul-céu-fechado que ele deu a ela um dia. Fez isso por mímica. E só a devolveria em troca de uma jura de amor. Ela ainda não aconteceu. É claro. A barata veio a falecer. E ela teve que jogar a caixa fora. Era a sua mais cara lembrança. Naquela noite ela estava com fome. Pra um primeiro reencontro. Como é que ela dizer que preferia um sanduba? Preferiu não comer nada. Ele podia se assustar com o seu paladar de peão-de-roça. E qualquer deslize poderia ser fatal. Ele vestia um traje social. Ela, um vestido “blue-claro”. Não sei como se escreve claro em inglês. Ainda não instalei o tradutor. Ela não entendeu o motivo do traje. Devia ser o local. Um hotel com leõzinhos que ela nem tinha visto. Mas que beleza de juba! Acho que ele queria impressioná-la. E conseguiu. Ele sempre faz isso. Começaram por um vinho tinto chileno. Amargo que só. E pararam por aí. Ela não se esquece daquele olhar dele. Não era pra ela. Era pro prato de tofu com camarões da mesa ao lado. Ela estava embaraçada, tentando dizer o que sentia. Gesticulou com as mãos. Ela estava pronta pra ser pedida em casamento. Foi quando ele fixou atentamente o olhar. Agora, era pro outro prato da mesa à esquerda. Nesse tinha arroz com castanhas. Enquanto isso ela tentava convencê-lo a passar o resto de sua vida com ela. Sentiu que precisava mostrar interesse. Já que tanto tempo havia se passado. Acho que ela exagerou. Ela nunca fui boa nisso. Já devia saber. Tocava The Cranberries. “Zombie”. Ela tentou cantar a canção dizendo que era sua banda preferida. Acho que foi aí que ele desistiu. Mas antes, fez um inventário da sua vida. E ofereceu pra ela ajuizar. Ela aceitou o encargo. Porque sempre fez um por fora. Ele sorriu. Não devia dizer. Mas ele lembra o “Ben Affleck”, numa versão mais jovem e sofisticada. Tem pinta hollywoodiana. Só faltou a conta bancária. A barata sempre atenta ao que ele estava dizendo. Ela não parava na rir na parte das mentiras. Que deus a tenha. Mas estar como ela está hoje. Antes a tivesse escutado. Texto inpirado em Luís Fernando Veríssimo
Ed Mort
Meu companheiro noturno.
E arranca boas risadas. rs
Pipa.
Um comentário:
Fala sério!
Isso foi real?
hahahahahahaha
Ilário!
Abração André
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