10.25.2009

Falta não. Falta nem.

Tinha céu. Mas não era azul. Que vontade ela teve de ficar alegre. Os tempos estão ficando difíceis para os sonhadores. Olhos úmidos. A voz de fora ria: Esquece essas nuvens de algodão menina. Estava escurecendo. As velas tinham acabado. Mas ela tinha ainda uma lamparina. E a acendeu pra iluminar o que vinha de dentro. Levou os olhos até os potes de esperança. Eles também estavam secando. Foi até o quarto e pegou o pedaço de céu que havia recebido pelo correio. E desceu com a lua. Marte estava a três quilômetros de distância. Parou na mercearia do céu. Tinha uma estrela que vendia jujuba. Comprou dois sacos pra tirar o amargo da boca. Era uma estrela espanhola. Na saída. Ela fez o sinal da cruz e desejou: “Dios lhe guarde Chica.” Batendo-lhe devagar nas costas. É que a Chica tinha vontade de céu. Já era conhecida de todos os astros. E ia sempre pra lá quando se zangava com alguém. Pois, só estando muito alto. Pra enxergar ternura. Por isso ia agora pra Marte se aconselhar com a Pipa. É lá que ela mora. É que ela finalmente foi abduzida por um disco voador. A Pipa a aguardava para o chá. Convidou as estrelas da vizinhança. As estrelas cansadas sempre se aconselhavam com ela. Foi quando entraram para a sala de reuniões. E junto, um pássaro azul, a bengala de marfim, dois quadros de paisagem e o frasco de água-benta. Aquele. Do Sul. A Chica deu a notícia do desastre. Mal de amor. Ela estava sintomática. A Pipa reparou na expressão esquisita. Nem só nos olhos, mas nas restantes feições. Parecia um dia de domingo. Mas era só por dentro. E ouviu suas queixas. “Aqui dentro uma bomba prestes a explodir, Pipa. Tudo por causa do ordinário que tem fome de olhar. Ele me desestabiliza. E eu choro água azeda. Lamentando tudo o que pode ser e não é.” A Pipa ajeitou o óculos devagar. E pensou num atalho. Vamos tentar negociar a paz, Chica. Quarta é um ótimo dia para fazer acordos. Especialmente se a guerra é Santa... Mas o que acha que devo fazer? Assaltou a Pipa com seu por quê. Eu sempre te falo mulher. Mas você não me escuta! Sejamos felizes de uma vez criatura! Até que tristeza morra de esperar e vá espairecer em outra parte! Pensou ela: E se faltar amor Pipa? Ora essa, a gente inventa!
Pipa. A que sonha.

6 comentários:

Noemyr disse...

Que texto maravilhoso...
Faz bem pra alma... É o tipo de texto que lemos, respiramos fundo e sentimos o ar todo blue em volta.
Vc ilumina, flor =)
Beijos :*

clayton disse...

Magnifico!!!
gente olha so isso,
ê tudo q gostariamos de ler pra q vejamos o significado da vida com plenitude e admiraçao!!!!
Continue ai Pipa num pare naum solte todo esse glamur, inspiraçao e amor... by claytinho

Mariana disse...

Como sempre ne sinto uma pipa q voaaaaaa!!!! continue me inspirando!!! bjos

Anônimo disse...

Rasque essas nuvens escuras para nos
ilumine...

Débora Vasconcelos

Cris disse...

Deus-do-céu,

cosa mai bonita, sô!

sabe que eu me abasteço aqui, né não?

... e sinta a frescura do vento ... só porque é primavera!

besos

.

Anônimo disse...

Que texto lindo!.
Faz bem pro ego,faz bem pra alma ler isto...
Mensagem tão profunda e linda...
Continue assim Pipa voando sempre alto e rasgando essas nuvens escuras para que nos ilumine...

beijos
Naira Gabriele.