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11.09.2010

Do Perdão






Arte: © Agócs Írisz






"Tentei deitar os olhos por mais noites seguidas do que eu pude contar. Mas parece mesmo que eles tinham muito mais a fazer, como ficar dando visão aos pensamentos muito bem acordados de uma cachola ressabiada. Precisei me juntar a eles para não ficar sozinha na cama. Só o coração implorava um sono eterno, mesmo sob o hipnótico efeito de fé que o tercinho azul operava ao balançar por entre meus dedos, enquanto eu mirabolava um perdão além das possibilidades. Precisávamos salvar vidas ainda naquela noite ou então tudo teria sido em vão. Por algum motivo, que não desprezo, a mente daquele moço ficara no automático de suas fraquezas enquanto ele estava... não sei onde. E por isso, tomei a raiva por impulso, como um análgésico que decidi por não administrar a cartela toda. Afinal, o moço não só se perdera como não havia conseguido ainda se encontrar. Compreender sua consumição era como estender nuanças mais leves pelos dias. Coisas das quais me sobram no olhar. E escrever foi apenas a menor distância que encontrei para abraçar. Quem sabe que eu assim, consiga lançá-lo à um mergulho desatado para dentro de si. E eu seria feliz. Ainda mais, se puder um dia ensinar aos meus filhos, onde fica abrigada a alma. Não quero mais correr o risco de esbarrar numa ausência assim tão funda. Uma herança de respiros valiosos. Mas na verdade eu só precisava dizer ao moço, que tivemos as vontades bifurcadas a medida que nos aproximávamos do espelho. E que por isso, agora somos apenas e muito, a moça e seus sonhos, o moço e seus caminhos, mas com tons e força diferentes. Precisava dizer que essas eram as únicas chaves que eu possuía para abrir todas as gaiolas das quais criamos. Viver não precisava doer. Mas eu precisei. Como preciso dizer, que foi assim que gastei as dores todas, uma a uma nas contas daquele tercinho azul de rezar."


Zíris
Guia Espiritual à Distância.
 
 
Se entrar numa livraria e der de cara com uma escritora deste porte, vou desistir do sonho da literatura. Será impossível disfarçar a minha falta de talento.  Zíris, ensinou-me que "Cada palavra que se completa no papel, uma peça que faltava cola novamente ao coração." Com ela aprendi a tirar o sossego dos Monstros,  conversar com almas malditas e exorcizar canetas possuídas. Ela me trouxe curativos e chás de carqueja, porque meus ossos se soltaram da carne de tanto eu me cortar nos cacos das minhas lembranças. Hoje ela também tem neblina nos olhos. Mas brilho, nunca faltou nas palavras. Escreve com o coração. Este é o seu distintivo.
 
 
 
Um beijo.
 
 
 
Pipa.

10 comentários:

Anônimo disse...

o eu posso dizer o q devo dizer nao sei,
o q eu sei, e q sou seu fân
bejos em seu coraçao...

z i r i s disse...

Então a Pipa me emprestou o apoio de uma de suas asas remendadas e saímos por aí planando sem perceber as pequeninices do chão.

Pipa, descarreguei toda linha nesse texto. E se algo nele alterou um tantinho de seu plano de vôo em meio a neblina. Sou, feliz!

A paisagem pode ser feia, mas a fé é mais em cima!

E agora meu coração tá assim ó, calmo e cheio de espaço para respirar profundo… Suas letras estão dançando dentro dele.


És uma Chica especial a espera de um noivo que VAI chegar e o resto você já sabe... Lembra?

Feliz de me ver aqui ao lado teu, dentro de sua linda e colorida máquina de sonhos inteligente.

Te beijo, te abraço


P.S.: Em toda ou em qualquer situação, eu quero tudo pra cimaaaaaaaaaa, pra cimaaaaaaa!!!!

Ju Fuzetto disse...

Nas distorções dos caminhos, encontra-se essa miséria de amor, enclausura-se a dor e se coloca a doer num descompasso sem ritmo...


Um beijo

Mari e Poly disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Poliana Fonteles disse...

Fico toda boba com o que tu encreves... fico a pensar onde tu encontras esses remendos... palavras tu montas com perfeição, se encaixão perfeitamente, um mistério...

Abraço largo Pipa querida...

Asas que ultrapassam os domínios do Sol disse...

Oi Pipa,
estive um pouco longe deste céu de amigos e de amores, mas hoje estou de volta querendo senti-lo encada pena que me ajuda a construir asas. Olha só pelo que entendi vc postou esse comentário da Ziris (MARAVILHOSA!!!!!), às vezes penso que são IRMÃS (rsrs). Lindo demais! A parte que mais me encantou, além do saudoso tercinho azul - pelo qual lembro da minha infância - foi a seguinte: "E escrever foi apenas a menor distância que encontrei para abraçar". Noooooooossa como fiz isso. Hoje tenho o MOÇO bem perto de mim, ele foi quem quis assim, o que me deixa mais tranquila. Então Pipa, como sempre estou muito feliz de poder encontrar com vc.
Abraços, Hilda Freitas (sua amiga alada).

Velho Santiago disse...

Já tentou ligar o ventilador mais forte pra pegar no sono?

Eduarda disse...

Pipa,

e aqui se voa em pleno. Respira-se ar puro.

bj

o n z e p a l a v r a s disse...

Pipa, você é tão generosa com o seu espaço, sempre trazendo pela mão um companheiro planando entre as nuvens carregadas de letras, pelas quais você alça seu vôo.

Obrigada por nos apresentar mais uma jóia da nossa língua. E vê se escreve, pois nós, amigos de travessia, sentimos falta da sua poesia.

Te beijo com amor, Ana

Anônimo disse...

Eu me encanto ao ler suas linhas escritas por sentimentos seus ...
é voo para minha alma, e inspiração para minhas novas escrituras.
Rimar não sou muito profissinal
Mas levo meus sentimentos ao papel mesmo que muitos me considerem sentimental.

Escrever é seu dom, seu brilho menina.
E através da tua escrita podemos viajar para um lugar que nem sei dizer o nome nem onde fica.

Beijos Monique Aguiar. moniques2aguiar@hotmail.com