11.01.2009

Plantas no aquário

Debaixo daquele antigo céu. No de sentir só. Eu os operei por semelhança. Fiz isso enquanto ele lia com orgulho um manual de tédio que achou num latão de lixo. O manual foi deixado lá por um andarilho, que decidiu sair pra ver o sol. É que ele gosta de andar em trilhos por onde passam trens fantasmas. Preciso entender de psicologia animal. Isso é mais saudável que solene. Foi o que imaginei. Tinha cheiro de escória. Avareza. Eu os vi num aquário de encurtadas águas, com conchas perfuradas de clamores antigos. Pareciam abandonados. Infestados de cianos, com fraca luz solar indireta filtrada por uma cortina de maus presságios. A luz era tão pouca que dava a impressão de velório. Era uma procissão de peixinhos. Todos em famigeradas rodinhas. Içados de lodo. Emparedados numa horrenda aquarela verde-musgo. Porque é a cor que ele vê, Senhores. É como trata também as pessoas. Ele às vezes se lembra de cevá-las com conta-gotas de cereais que compra em farmácias de manipulação de excessos. Mas nunca as alimenta com o bastante para matar a fome. Porque gosta de espiá-las se debatendo por comida.
Pipa. Do amor, pra sentimento nenhum.

3 comentários:

Anônimo disse...

Cruzes.
Muito triste isso.
Eu também conheço gente assim.

Anônimo disse...

Simplemente:

In-crí-vel.


Abração
André

leonmm@ig.com.br disse...

"Pipa", singelo ser ao vento voa, indagada pela mazela, ao som fúnebre ecoa.
Existem seres que são gregários, outros individuais, mas todos tem sua essência, formatada pelo criador.
A solidão advém da fome, mas também do glamour. Somos guias do nosso destino, mas nos reportamos a Ele. Quem seremos nós para julgar?
Seu texto representa o que há de mais nobre em sua essência: Sua alma; Alva, pura e com perspectivas de um amor verdadeiro.
Venha pipa, voa para o litoral.
Aqui estarei, para me doar em seu astral.

Te adoro minha Linda, você é muito talentosa.
beijos...
Leonardo M. Mattos ( RJ )