11.09.2009

Nos deixem a sós

Tenho andado com vontade de permanecer nos campos de concentração emocional para sempre. E cultivar em paz o meu fim. Vestida na minha fantasia de sobrevivência. Mas só chove. Não toque em minhas asas de gaivota estraçalhada. Eu não vou deixar de ser gaivota só porque tenho asas quebradas. Limitada, talvez. Uma canção que ele me mandou me fez lembrar sobre o funcionamento das coisas. “O inferno são os outros.” Eu quis entender a prece nos lábios dele. Mas a sua indiferença carnavalesca continua a mesma. Vamos entre: “O sexo é cortesia da casa. O amor, a combinar.” Recobro um deslumbramento perdido. Ele recrimina o meu sentimento feminino. Mas não me permite o contrário. E me interroga como um Sartre da Favela. Ele tem um propósito suspeito. Sabe que a tristeza me torna mais atraente. Depois tenta contornar as minhas dores. Eu o recuso. Dessa Vez. Para sempre. Voltei para cama de novo. Arrombei do corpo minha camisa amarrotada. E não foi sorrindo que adormeci.
Pipa.

5 comentários:

Anônimo disse...

O inferno somos o que sentimos de podre a respeito de alguém.....quando isso acontece o cheiro de enxofre exala das narinas e não há patchouli que resolva.... ouvi dizer que a única coisa que resolve é conhecer o céu. O céu também existe dentro de nós...é quando aquele sentimento aprodrecido se transforme em flor, daquelas que florecem nos olhos e é impossível esconder! A esolha desses sentimentos, é só minha, porque é só minha a expectativa que crio do outro.

Noemyr disse...

Gostei muitissimo do desfecho!! beijoss Pipa :*

Anônimo disse...

Uau hein. Parabéns! Esse é show!

Abração

Rafa.

renata disse...

por vezes o amor parece mesmo um campo de batalha. e desarma fácil. é preciso ficar atento e ter fé! e nunca desacreditar dele. afinal é tudo o que a gente quer.

beijocas!

Cris disse...

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Mas foi sorrindo que tu acordastes depois do sonho! E te abastecestes o bastante pra continuar os longos quilômetros! De sede pura! De vontade de viver!

Amo-te!

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