10.23.2009

.: Olha

Pintou os lábios como se fosse pra guerra. E ia. Enfrentar o moço que usava de suas palavras ardilosas pra conseguir estilhaçar o que ela tem de mais bonito: a serenidade. Antes de sair de casa, jogou uma moeda no poço do quintal, aquele que ela sempre acreditou ser encantado. E ela foi descalça. Porque de salto ela se tornaria mais alta que ele, quase dois palmos. E isso o agredia ainda mais. Ele tinha de ganhar dela de alguma forma, mesmo sendo só na altura. Mas o motivo dela ter ido descalça não era esse não. Ela queria mesmo era olhar bem nos olhos dele. Do escuro de dentro do olho até o arco-íris perdido. Ofendendo, assim, todo o seu interior de homem mesquinho. Que, com asas quebradas, tenta impedir os vôos alheios, numa forma de vingança de sabe-se lá o que. Só que ao invés de levar a espada, ela levou o frasco de água benta. É que ela acreditava em milagres. E esperava que o tal moço se banhasse por dentro e que daquela boca não saísse nenhum comando nem ludicice. Ela queria que saísse da boca dele muitas bolhas de sabão e fumaça de amor.




Do-fundo-frio-do-peito-amém.



Da Serena, da que sonha.

2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei!
O que nao falta é homens mesquinhos de asas quebradas tentando impedir voos alheios.

Anônimo disse...

vou pintar meus labios como c fosse para a guerra

adoreii!!!

Débora Vasconcelos