10.19.2009

É hora de voar



Já acendi o incenso. Me benzo. Te benzes. Ele gente. Sempre ele. Acordei de manhãzinha. O céu ameaçando chuva denovo. Levantei arrastando a alma até a cozinha. E preparei um copo com água-doce pra curar a ressaca. Aquela. Moral. E atrair as fadas. Porque elas costumam se afastar quando os versos se encardem. E no rádio a Adriana denovo. “Saia dessa vida de migalhas, desses homens que te tratam como um vento que passou.” Às vezes tenho vontade de voltar e explicar o pavor que eu senti. Mas ela é Pipa-Cris. E precisa voar. Ela me pirraçou outra vez. Dizendo que se eu não voasse, ela não ia tirar os pés do chão. Sempre embirrada essa menina. Oh vontade de céu que não passa, meu Deus. Bem, já posso sentir o amor do lado de cá. Sinto com força. No quarto, o cheiro de jasmim. Tem até uma Ave-Maria cantando. Só pode ser um sinal. As fadas já chegaram. E estão bem do nosso lado. Do-fundo-frio-do-peito-Amém.
Pipa. A que voa.

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