10.19.2009

Porque cinza? Eu gosto tanto do azul.


Ela despiu o seu verso para ver a cor. Porque ela tem lentes de poeta. Mas as palavras estão sangrando. Estão dizendo só do sal. Ele está ciente do seu padecimento. E sabia que a tinha estiolado da mais perversa forma. Contudo, ela vigia a língua. Tentando não encardir o verso. E a prende com tanta força, que não sai quase nada. Só um ranger de dentes cativo. Enquanto isso, seus olhos influenciam o pensamento. E um desejo inexato fertiliza nas partes recônditas de sua mente. É preciso redobrar a atenção. Principalmente nas horas em que. Mas ela ainda tinha em sua mão direita sete estrelas. Todas maduras. Quase passando. Que deixou no cofre guardadas há vinte nove primaveras atrás. Presente da sua mãe judia. Então ela pensou que talvez fosse a hora de usufruí-las. Subiu no telhado. Lá aonde ela sempre vai quando a vida dói. Pro alto. Ficou na ponta dos pés. E pegou carona num balão. Levando consigo uma argamassa dura, pra garantir que as estrelas não caíssem do céu. Levou também pó de diamante, que era pra aumentar o brilho, e tirar o mofo de estrelas guardadas. Alicerçou-as com termos agradáveis. Todo cuidado era pouco. E assentou-as uma a uma naquele céu cinzento. E cantou pra ele dormir. E um ruidoso trabalho de demolição interna se fez.
Por Pipa. A que ta numa tristeza de dá dó.

Um comentário:

Noemyr disse...

Gostei por demais desse!
Beijo Pipa =)
C voa cada vez mais alto!